Com atraso de 2 anos, São Vito será demolido

Projeto prevê também passarela entre Palácio das Indústrias e o Mercado Municipal

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

09 de fevereiro de 2008 | 00h00

Com dois anos de atraso, os Edifícios São Vito e Mercúrio e o Viaduto Diário Popular, símbolos da degradação do centro velho de São Paulo, serão demolidos. O anúncio foi feito ontem pelo secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, logo após a primeira reunião do ano entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e os seus secretários. Em janeiro de 2006, porém, Kassab afirmara que a demolição dessas estruturas para o início da revitalização da região do Parque d. Pedro II seria viabilizada até o final daquele ano.A licitação para a contratação da empresa que será responsável pela demolição das estruturas será finalizada nos próximos dois meses. Os valores da concorrência não foram divulgados. Os proprietários dos 120 apartamentos do Mercúrio começaram a receber indenizações que variam de R$ 22 mil a R$ 30 mil. "Temos de fazer a licitação do São Vito e do Mercúrio juntos porque são um prédio só na verdade. O viaduto também vai ser demolido até o final deste ano no mesmo processo", disse Matarazzo.A área onde estão os prédios deve ganhar uma passarela que servirá de ligação entre o Mercado Municipal e o Palácio das Indústrias - a antiga sede da Prefeitura abrigará um museu do brinquedo, conforme prevê um projeto do governo do Estado para o local em parceria com o Município.O secretário municipal da Habitação, Orlando Almeida, disse, entretanto, que existe a hipótese de a demolição do São Vito e do Mercúrio ser feita de forma manual para evitar abalos na estrutura do prédio do Mercado, cuja construção teve início em 1924. "Se a implosão oferecer risco, por exemplo, ao vitrais do Mercado, a demolição dos prédios será manual", afirmou Almeida.Importados da Alemanha, os 32 painéis de vidros do Mercado, subdivididos em 72 vitrais, retratam o trabalho manual dos imigrantes em terras paulistas no cultivo e colheita do café, no início do século 20.SEM-TETOApesar de o movimento dos sem-teto reivindicar a volta do auxílio mensal de R$ 300 que a Prefeitura fornecia até o início do ano passado para as 140 famílias desalojadas do São Vito em 2004, o secretário das Subprefeituras descartou essa hipótese. No ano passado, lideranças do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST)chegaram a invadir o prédio de 624 apartamentos e 27 andares, desocupado em seguida pela Polícia Militar. "A bolsa-auxílio terminou e parte das famílias foi encaminhada para programas habitacionais", completou Matarazzo. Ele, contudo, admitiu o atraso na revitalização da Praça Roosevelt. "Essa realmente está atrasada", completou.Sobre a revitalização da Nova Luz, o prefeito Kassab disse que as 27 empresas credenciadas a se instalarem na região com incentivos fiscais devem começar a transferir suas sedes nas próximas semanas. "Algumas empresas já vão começar a mudar para lá."

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