Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Com bancada maior, PV aumenta pressão a Alckmin por espaço

Partido, com 9 deputados a partir de 2011, torna-se importante para governo se Kassab de fato deixar o DEM e for para o PMDB

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2010 | 00h00

Com poder de barganha incrementado, o PV paulista apresentará ao governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) 21 diretrizes de gestão para orientar sua adesão ao novo governo tucano.Os verdes - que postulam as secretarias do Esporte e do Meio Ambiente - deixarão claro que a governabilidade de Alckmin na Assembleia está em jogo.

A pressão verde tem como base a possível migração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para o PMDB. Deputados estaduais do DEM, que acompanhem o prefeito na migração partidária, poderão engrossar o coro da futura oposição. O resultado da equação é quórum suficiente para a instalação de CPIs na Assembleia.

O PV paulista tem a seu favor o fato de ter se tornado uma espécie de fiel da balança ao conseguir, na carona da ex-presidenciável verde Marina Silva, eleger nove deputados estaduais - três a mais que 2006. Caso Alckmin não aceite pontos cruciais do documento, os verdes prometem liberar sua bancada e render dores de cabeça ao tucano.

Segundo um membro do PV, os pontos da agenda verde precisam ser "razoavelmente incorporados" para "se discutir como a governabilidade se dará". A adesão ao governo tucano, afirma, não é dada como certa, já que o partido tem no horizonte político o projeto de eleger Marina presidente em 2014. Por isso, ventila-se manter uma posição de independência.

Secretariáveis. Entre os nomes que os verdes devem sugerir para as secretarias, estão o do deputado estadual Chico Sardelli, para Esportes, e do ex-candidato ao governo paulista, Fábio Feldmann, para o Meio Ambiente.

Sardelli não quis comentar o processo de adesão dos verdes ao governo tucano. Reafirmou, apenas, que a entrega do documento é procedimento padrão da legenda. "Não abrimos mão de nossas prerrogativas", resumiu o deputado.

Feldmann, por sua vez, está fora do circuito político desde o fim das eleições estaduais. Ele participa da preparação da Rio +20, a nova conferência da Organização das Nações Unidas, que pretende revisar a Eco 92 no ano que vem. Ontem, o verde estava em viagem a Londres e não respondeu ao recado deixado pela reportagem.

Dentro do PV paulista, o nome de Feldmann é considerado natural para a pasta do Meio Ambiente de Alckmin. Contudo, o ex-candidato, que voltou à iniciativa privada, ainda não respondeu se gostaria de trabalhar no poder público. Caso Feldmann não tope a missão, o PV já prevê uma disputa interna para decidir quem deve assumir a tarefa.

"Nós não estamos discutindo nenhum nome mesmo", amenizou o presidente do PV paulista, Maurício Brusadin. "Mas é evidente que o nosso maior desejo é o espaço do Meio Ambiente, porque temos maior qualificação para isso", anotou.

De acordo com Brusadin, o documento será apresentado a Alckmin nesta sexta-feira pela manhã. "Queremos entender se o próximo governo vai ter uma matriz modernizante", observou.

Requisitos. Em seu documento, os verdes pedem que o próximo governo estadual inove em suas diretrizes. A carta contém "compromissos estratégicos com o futuro de São Paulo" e uma "agenda legislativa comum". O PV paulista condiciona sua adesão à gestão tucana, por exemplo, a um projeto que inove o conceito do Bolsa-Família, à criação de um "atlas da criatividade de São Paulo" para a indústria. E ordena que Alckmin apoie a lei que proíbe uso de sacolas plásticas e outra que elimine o consumo de lâmpadas incandescentes no Estado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.