Com base lulista, petista teria o dobro de tempo de tucano na TV

Pré-candidata pode ocupar quase metade do horário eleitoral se conseguir o apoio dos governistas PP e PTB

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Se os governistas PP e PTB não se afastarem da órbita do lulismo, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, terá mais que o dobro do tempo de TV do tucano José Serra.

Os dois partidos, que o PSDB corteja, são as variáveis-chave do rateio do horário eleitoral gratuito - juntamente com o número de "nanicos" na disputa. Atualmente, há um total de 13 pré-candidatos anunciados.

No melhor cenário para Dilma, ela terá quase metade (46,5%) do programa eleitoral - e também das inserções de 30 segundos exibidas ao longo da programação das emissoras de TV e rádio. Na melhor hipótese para Serra, ele ocupará cerca de um terço (30,8%) da propaganda.

Se PTB e PP formalizarem o apoio a Dilma, a vantagem dela na televisão sobre o principal adversário será de 107%. A petista terá 11 minutos e 37 segundos em cada bloco de 25 minutos exibido à tarde e à noite. Serra, nesse caso, terá apenas 5 minutos e 36 segundos.

A pré-candidata ainda terá 71% a mais de tempo se perder os petebistas, mas mantiver o PP: ficará com 10 minutos e 52 segundos, contra 6 minutos e 21 segundos do representante do PSDB.

Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e autor das denúncias que deflagraram o escândalo do mensalão, quer levar para o ninho tucano os 45 segundos na TV a que a legenda tem direito. Mas ele enfrenta a resistência de parlamentares interessados na manutenção da aliança com o campo lulista.

Aceno. A eventual conquista do PP seria ainda mais significativa para os tucanos - valeria 1 minuto e 20 segundos. Em um cenário com pepistas e petebistas como aliados, Serra alcançaria 7 minutos e 41 segundos. Dilma, com 9 minutos e 32 segundos, teria apenas 24% de vantagem.

Em consulta recente feita pelo PP 21 dos 27 diretórios estaduais optaram pelo apoio a Dilma. Mas o PSDB acena com a possibilidade de ceder ao senador Francisco Dornelles (PP-RJ) a vaga de candidato a vice-presidente na chapa de Serra.

Um cenário menos provável, mas possível, seria uma aliança entre PP e PSDB e outra entre PTB e PT. Nesse caso, o tempo da petista seria 48% maior.

Regras. A Lei Eleitoral prevê um critério misto para a divisão do tempo dos presidenciáveis no rádio e na TV: 1/3 de cada bloco (8 minutos e 20 segundos) é distribuído de forma igualitária entre todos os candidatos, e os 2/3 restantes (16 minutos e 40 segundos) são rateados proporcionalmente ao tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados.

Apenas PT e PMDB, que elegeram as maiores bancadas em 2006, garantiram a Dilma cerca de 8 minutos e meio. Nas eleições de 2002 e 2006, quando não contava com o apoio do PMDB, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva teve menos tempo na TV que os adversários do PSDB - Serra e Geraldo Alckmin, respectivamente.

Como o número total de candidatos influencia na divisão do tempo, até Serra foi beneficiado pela saída de Ciro Gomes (PSB) da corrida presidencial: ganhou 3 segundos. Mas, como o partido de Ciro vai se coligar Dilma, é ela quem mais sairá ganhando: quase um minuto em cada bloco.

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