Com câmera inoperante, hospital é roubado em SP

Por causa de um equipamento queimado do circuito interno de TV, um bando formado por 15 assaltantes fugiu sem ser identificado após invadir e roubar R$ 52 mil em remédios de alto custo e de uso específico do Hospital Geral do Grajaú, na zona sul de São Paulo. O crime ocorreu às 2h45 de ontem. Os ladrões mantiveram reféns um vigilante, um porteiro, uma auxiliar de enfermagem, outra de limpeza e um auxiliar de farmácia. Segundo a Polícia Civil, as vítimas não foram agredidas. Os criminosos chegaram ao hospital estadual em uma Kombi branca e em um Monza cinza. Parte do bando desceu e rendeu um vigilante. Em seguida, os assaltantes dominaram o porteiro. Um dos ladrões abriu o portão para a entrada dos carros. Minutos depois, as duas funcionárias foram feitas reféns.Outro criminoso foi à sala onde ficam os medicamentos e anunciou o assalto ao auxiliar de farmácia. Os cinco reféns foram colocados na guarita. Os assaltantes recolheram diversas caixas de remédios e fugiram. O roubo foi registrado no 101º DP (Jardim das Imbuías) pelo delegado Paulo César Costa.Segundo o policial, as placas dos veículos não foram anotadas. Um segurança informou que a câmera do circuito interno de TV "estava inoperante há alguns dias porque a CPU que controla o equipamento queimou". O delegado apurou que o auxiliar de farmácia foi rendido por oito homens encapuzados.De uso controlado, os remédios roubados são Clexane 40, Estreptoquinase, Emama e Meropenem, usados para tratamento de trombose pulmonar e cardíaca, enfarte e ainda por doentes submetidos a hemodiálise. Se usados de maneira incorreta, podem causar efeitos colaterais, como convulsão. O preço mínimo de cada caixa é R$ 20 e o máximo, R$ 90. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, até as 19 horas de ontem nenhum assaltante havia sido preso. Além dos remédios, os criminosos levaram duas CPUs, dois celulares de funcionários e um rádio comunicador da empresa da limpeza.ROUBO DE CARGAAlvo preferencial das quadrilhas especializadas, os medicamentos ocuparam lugar de destaque no ranking de cargas roubadas em São Paulo no ano passado. A cada três dias, quatro ocorrências foram registradas, como mostra o balanço Sindicato das Empresas de Transporte de Carga (Setcesp). Os roubos injetaram no mercado do crime R$ 16,9 milhões, só entre janeiro e setembro.O Setcesp, com base em informações de delegacias do Estado, traçou o número de roubos de carga e identificou que o transporte de remédios responde pelo 4º lugar em prejuízo por atender dois quesitos importantes para a "logística criminal": menos espaço para transporte e mais valor na venda.Além das cargas, farmácias de hospitais de grande porte, como o do Grajaú, também acabam visadas. No dia 16 de junho de 2008, ladrões escavaram um túnel no Hospital do Servidor Estadual, na zona oeste, e levaram medicamentos antiaids. Em novembro de 2007, homens saquearam 1 milhão de remédios do Hospital Emílio Ribas, também na zona oeste.

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