Com chefe da Casa Civil abalado, aumenta cacife político de Temer

Ao contrário de Lula, que fazia a ponte com partido via Sarney e Renan, no atual governo o vice é o principal interlocutor

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

A interlocução política do PMDB com o Palácio do Planalto mudou de mãos no governo Dilma Rousseff. Ao longo dos oito anos de mandato do antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, os interlocutores preferenciais foram o presidente do Senado, José Sarney, e o líder do partido na Casa, Renan Calheiros. Na atual administração, porém, o preferido é o vice e presidente de honra do PMDB, Michel Temer.

Sem o traquejo político do antecessor, Dilma implantou um modelo de articulação centrado na figura de um intermediário: o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que faz a interlocução com a base aliada em nome da presidente. Com Palocci politicamente manco, o cacife de Temer como articulador cresce.

Diante do fato de haver um ministro especialmente escalado para fazer o meio-campo com o Congresso, o vice costuma dizer que faz "uma boa tabelinha com Palocci". Foi o que ocorreu em todas as crises envolvendo o PMDB em meio à disputa de cargos dentro da base governista. Em todos os episódios em que a briga saiu do controle, Temer foi chamado para acalmar os ânimos. Ele próprio já disse à Dilma que seu papel, nesses casos, é "pôr água na fervura".

Por isto mesmo, o vice-presidente participa diariamente da chamada reunião das 9h no Planalto e, sempre que há um problema envolvendo o PMDB, é chamado ao gabinete presidencial. A regra estabelecida é a de que ele deve procurar a presidente sempre que julgar necessário. E todas as vezes que pediu uma audiência, foi recebido no mesmo dia por Dilma.

Temer faz questão de ser respeitoso, guardando a uma distância protocolar na relação com a presidente. Só a trata por você quando estão a sós, em conversas reservadas. E isto, depois de ter sido devidamente chamado a manter o tratamento mais próximo e pessoal. "Sou muito cioso do meu lugar e não avanço o sinal", costuma repetir Temer. É por ter como norma não avançar, que a presidente lhe franquia o sinal verde permanente: "Não tenha cerimônia comigo. Me procure sempre que quiser".

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