Brisa Chander
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Com China e Brasil, relações Sul-Sul ganham espaço na África

Em 2011, o país asiático ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior parceiro comercial do continente

Amanda Rossi,

29 Outubro 2013 | 09h31

O crescimento do Brasil na África na última década não é fato isolado, mas parte de uma mudança nas relações externas do continente. Desde a virada do século, os países desenvolvidos deixaram de ser os únicos parceiros dos africanos e ganharam espaço as nações chamado Sul, que inclui os emergentes e economias em desenvolvimento – principalmente a China.

Prova disso é que a China ultrapassou os Estados Unidos em 2011 e se tornou o maior parceiro comercial do continente. Somente com a África Subsaariana, o comércio chinês saltou de US$ 1 bilhão, em 1992, para US$ 140 bilhões em 2011 – um aumento de quase 140 vezes em duas décadas. Nesse mesmo período, o resultado do Brasil foi um crescimento de 15 vezes.

O movimento decisivo da China em direção à África ocorreu em 2000, com a criação do Fórum de Cooperação China-África. Nos dez anos seguintes, o governo de Pequim concedeu US$ 75 bilhões em ajuda aos países africanos, de acordo com o levantamento do Center for Global Development, de Washington. A principal forma de apoio é o financiamento de obras de infraestrutura.

A política brasileira para a África começou um pouco depois da chinesa, com a primeira viagem do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003. Foi antes disso, contudo, o comércio com os países africanos começou a aumentar.

Na década de 1990, as exportações brasileiras para a África haviam crescido a uma taxa média anual de 4%. Já nos dois últimos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, o salto foi de 33% ao ano – equivalente ao registrado na primeira metade do mandato inicial de Lula. O próprio FHC chegou a manifestar sua decisão de promover "o relançamento da política africana do Brasil", em 2001, mas deixou a concretização do objetivo para Lula.

Além de China e Brasil, a Índia também aumentou sua presença na África. Entre 2000 e 2010, metade do financiamento para a construção de infraestruturas na África Subsaariana foi concedido pelo Sul. "O Sul está hoje em posição de influenciar e reformular velhos modelos de cooperação para o desenvolvimento graças a recursos acrescidos e às lições colhidas no terreno", afirmou o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2013, das Nações Unidas. A publicação fez um grande elogio ao países emergentes e em desenvolvimento e estampou na capa uma bússola de ponta cabeça, onde o novo norte era o Sul.

Mudança. A economia africana também entrou em um novo momento a partir dos anos 2000. Após a década de 1990, marcada por crise, fome e conflito, a África entrou no século 21 com a intenção de virar o jogo. Em 2001, criou um plano conjunto de desenvolvimento econômico, a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad). Em 2002, fundou uma aliança política continental, a União Africana – a exemplo da União Europeia.

Nos anos que seguiram, o número de conflitos violentos diminuiu, mais países passaram a ter eleições regulares e a economia entrou em uma inédita fase de crescimento. Enquanto na década de 1990 a renda nacional per capita na África Subsaariana era representada por uma linha estagnada, em 2000 ela se transformou em uma curva ascendente. De lá até 2012, o crescimento foi de 35%. Guerras, fome e ditaduras são cada vez menos comuns na África. A tônica do momento é o "renascimento africano".

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