Com Choque de Ordem, fiscalização encontra comida estragada

No 4º dia de operações, foram encontrados rato morto junto com alimentos e barata dentro de tacho de óleo

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2009 | 14h42

  Foto: Wilton Júnior/AE   RIO - No quarto dia da operação Choque de Ordem, organizada pelo novo prefeito do Rio, Eduardo Paes, a fiscalização baixou na região central da capital fluminense. Cerca de 120 toneladas de produtos foram apreendidos nesta quinta-feira, 8, incluindo mantimentos estragados. Num depósito, uma barata morta foi encontrada dentro de um tacho de óleo para frituras e, junto com alimentos como frango resfriado e linguiça, foram achados os restos de um rato.    Veja também: Em 3 dias, 'Choque de Ordem' apreende 100 toneladas de produtos Prédio irregular é demolido no Rio em ação contra sem-teto Paes e Cabral assinam convênio para aumentar salário de PMs  Rio combate publicidade irregular com 'Choque de Ordem' As promessas de campanha de Eduardo Paes    Marco Antônio Fernandes, de 33 anos, dono do depósito clandestino no centro onde os alimentos foram encontrados com ratos e baratas, foi preso e autuado em flagrante por supostos crime contra a saúde pública e de furto de energia de um poste de rua, por meio de uma ligação clandestina. "Se a polícia não estivesse nesta operação, ele seria apenas notificado", disse Oliveira.   Foto: Wilton Júnior/AE   Ao todo, mais de 200 moradores de rua foram recolhidos e cerca de 200 toneladas de mercadorias foram apreendidas nos primeiros quatro dias da operação. Um dos motivos apontados para a eficiência da ação, realizada sem incidentes mais graves, é a presença do grupo de policiais chefiado pelo novo subsecretário de Operações da Secretaria Especial de Ordem Pública do município, delegado Carlos Alberto Oliveira, ex-titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). São, além dele, quatro delegados e 17 policiais civis, cuja presença desencoraja resistências - com poder de polícia, os agentes podem dar voz de prisão a quem os desacatar - e facilita a checagem de antecedentes criminais.   "Não vamos ficar correndo atrás de camelôs. Nossa estratégia é realizar ações concomitantes em duas frentes. A primeira é o ataque à infraestrutura do comércio ilegal, com o estouro de depósitos clandestinos. Em outra frente, combatemos as infrações no trânsito, cobramos o respeito ao Código de Posturas, retiramos entulhos das ruas e investimos no aspecto social com o acolhimento da população de rua", definiu Oliveira, de 42 anos, com cursos no exterior e considerado por colegas um delegado do tipo operacional. Nos tempos da Drae, era comum envolver-se diretamente em tiroteios com suspeitos.   Sucos eram armazenados dentro de baldes, como o de maracujá, que o agente joga fora Foto: Wilton Júnior/AE    De acordo com o delegado, além de aumentar a segurança da população, o trabalho auxiliará as forças de segurança. "A nossa abordagem e apreensão de menores em confronto com a Lei alivia a mancha criminal", exemplificou Oliveira. Além da abordagem dos assistentes sociais da prefeitura, agora os moradores de rua têm suas possíveis fichas criminais levantadas logo após serem contactados. Dessa forma, na quarta-feira, policiais descobriram que um casal de pedintes do Largo do Machado já tinha ficha na polícia - o homem por homicídio.   Centro   Só nesta quinta, a operação Choque de Ordem localizou e fechou seis depósitos clandestinos no centro e apreendeu as mais de 120 toneladas de mercadorias. Um dos locais escondia remédios em grande quantidade. Os outros abrigavam alimentos e carrocinhas de ambulantes no centro em péssimas condições de higiene. Na Rua Leandro Martins, após a apreensão de mais de 200 carrocinhas, ambulantes ensaiaram um protesto e gritaram "queremos trabalhar" e "Gabeira", referindo-se ao candidato deputado federal Fernando Gabeira, (PV) derrotado pelo prefeito eleito Eduardo Paes (PMDB) no segundo turno.   O secretário de Ordem Pública Rodrigo Bethlem disse que não teme que o prefeito se torne impopular ao reprimir o comércio ilegal. "Quem mais sofre com a desordem é a população pobre. É um engano achar que esta operação vai prejudicá-los. Inclusive, recebemos pedidos de operação na zona oeste", declarou Oliveira, referindo-se à região mais pobre do Rio, que ajudou a eleger Paes.   Atualizado às 19h36 para acréscimo de informações

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