Com chuva, caos volta a Congonhas

Vários pilotos recusaram-se a pousar na pista molhada; 63% dos vôos foram cancelados até as 21 horas

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2024 | 00h00

A chuva forte que atingiu a capital paulista ontem provocou mais um dia de caos no Aeroporto de Congonhas. Com medo de novos acidentes na pista molhada, os pilotos das principais companhias aéreas do País, TAM, Gol, Varig e Ocean Air, entraram em acordo e se recusam a pousar em Congonhas em dias de chuva. Eles temem a repetição de acidentes como o ocorrido com o Airbus da TAM, que hoje completa uma semana. Em dias de chuva, seguem para os aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, e Viracopos, em Campinas. A BRA suspendeu vôos em Congonhas desde a sexta-feira passada até a próxima segunda-feira. Ontem, vários pilotos preferiram não se arriscar a pousar na via auxiliar, que tem apenas 1.450 metros de comprimento e foi recém-reformada. No domingo, a TAM decidiu que seus pilotos não vão mais pousar na pista principal de Congonhas se ela estiver molhada. Já os da Gol são orientados a redobrar os cuidados nas aterrissagens. No fim da tarde, um deslizamento de terra ao lado da pista principal chegou a ameaçar de desmoronamento o muro de contenção que dá para uma via de acesso à Avenida Washington Luís. Segundo o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP), desde a abertura do aeroporto, às 6 horas, apenas algumas aeronaves da Varig pousaram no local. "Isso até começar a chuva mesmo", afirmou um oficial da Aeronáutica. Depois, todas as companhias preferiram deslocar seus vôos para outros aeroportos - somente alguns aviões menores, como os de táxi aéreo, continuaram a utilizar Congonhas. Às 21 horas de ontem, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) informou que 165 (63,7%) das 259 decolagens programadas desde a zero hora foram canceladas. Outras 18 partidas (6,9%) apresentaram atrasos superiores a uma hora. Desde a madrugada de ontem, o Aeroporto de Cumbica foi a alternativa para muitos pousos. Até as 19 horas, 54 vôos de Congonhas haviam sido transferidos para lá. Viracopos havia recebido 24 aeronaves alternadas da capital. Às 10h24, a Torre de Controle de Congonhas interrompeu pela primeira vez os pousos na pista auxiliar, depois que um piloto informou que a via estava escorregadia. Segundo um controlador de vôo, a ocorrência foi com um jato executivo que chegou a deslizar no final da pista. A Infraero foi acionada para medir a lâmina d?água e, às 10h55, voltou a liberar as operações. A intensidade da chuva aumentou e, às 11h26, por falta de visibilidade, todas as operações em Congonhas foram interrompidas. A via auxiliar só foi reaberta às 12h55. Dez minutos depois, a Polícia Federal pediu nova interdição para medir o índice de atrito no local. O procedimento durou 12 minutos. Às 13h17, as operações voltaram ao normal. Segundo o SRPV, até as 18 horas foram realizados 103 movimentos na pista auxiliar. Entre 18h13 e 18h30, a pista foi novamente fechada. Por volta de 10 horas, a TAM já tinha fechado seu check-in e cancelado 12 vôos que sairiam do aeroporto. No total, 64 vôos da companhia foram cancelados e oito, transferidos para Guarulhos. Outros 11 foram para Viracopos, em Campinas. Mesmo se a pista principal for reaberta dentro de dez dias, como prevê a Aeronáutica, a TAM orientou seus pilotos a não pousar nela em dias de chuva até a conclusão do grooving - ranhuras que ajudam no escoamento da água. Quanto às operações na pista auxiliar, a empresa deixou a cargo dos comandantes decidir o que fazer. A Gol não informou o número exato de vôos transferidos, mas admitiu, em nota, que a companhia teve as suas operações "seriamente prejudicadas". E informou que as operações na pista auxiliar, quando molhada, serão feitas com Boeing 737-700. A BRA já tinha transferido, desde o dia 20 de julho, suas operações para Guarulhos até o dia 30, inicialmente. Para o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, a pista auxiliar é segura. Ontem, um caos se instalou nos aeroportos de Florianópolis e Porto Alegre. Em decorrência desses atrasos, mais de dez tripulações de aeronaves venceram seu tempo de trabalho e foram embora, deixando os passageiros sem ter como viajar.

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