Com chuvas, produtos somem e preços disparam até 100%

Perda de colheita e isolamento de cidades impedem que alimentos cheguem à população

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

29 Novembro 2008 | 00h00

A seqüência de três meses de chuva em Santa Catarina e principalmente a enchente da última semana já provocaram impacto no preço de alguns alimentos no mercado interno - e isso pode se espalhar para outros Estados. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), os principais reajustes foram os dos hortifrutigranjeiros, como alface, que em poucos dias teve seu preço elevado em 133% no Estado. "São produtos de pronto consumo, que não podem ser armazenados. Então, se não há abastecimento, o preço sobe", diz um dos diretores da Epagri, Airton Spies.Outro produto que recebeu reajuste no mercado catarinense foi o leite. Mas nesse caso não foram as inundações que prejudicaram a produção, mas os deslizamentos de terra, que isolaram comunidades. "O Vale do Itajaí é o nosso segundo centro leiteiro e os problemas nas estradas estão prejudicando a logística, por isso tivemos aumento", diz o o vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri.Por enquanto, o aumento nos preços está restrito a Santa Catarina, mas ele pode atingir outros Estados. A cidade de Luiz Alves, que ficou isolada até o meio da semana, é uma das principais produtoras de banana e tem São Paulo como o grande mercado consumidor. Mesmo após a remoção de barreiras permitirem a comunicação com municípios vizinhos, estradas para a capital paulista seguem obstruídas. Por causa disso, pode haver reajuste já na próxima semana. O mesmo pode acontecer com as cebolas. Santa Catarina produz aproximadamente 400 mil toneladas por ano de cebola, o que corresponde a 50% do total brasileiro. Mas metade dessa quantia foi perdida com as chuvas na região do Alto Vale do Itajaí, provocando prejuízos de R$ 100 milhões. Se os outros centros produtores do País não suprirem a demanda, a Faesc afirma que o produto terá de ser importado da Argentina, com impacto nos preços. PREJUÍZOSA Faesc divulgou ontem um levantamento dos prejuízos. Juntando agricultura e pecuária, a estimativa inicial é de R$ 415,5 milhões. A safra de arroz é uma das mais afetadas e terá perdas de R$ 96 milhões. Dos 70 mil produtores de feijão, 80% foram atingidos. A produção deve somar 75 mil toneladas, metade da estimativa inicial, com prejuízo de R$ 124 milhões.Os produtores de fumo terão prejuízo de R$ 48 milhões, já que no mínimo 20% da safra será perdida. A Faesc prevê dificuldades para pecuaristas de leite. Os 75 mil produtores terão prejuízos estimados em R$ 6 milhões, pois a perda é de 10% da produção diária. Na pecuária de corte, a perda estimada é de R$ 5 milhões.No caso do milho e da soja, a preocupação não é a chuva, mas a seca. Em algumas regiões não chove há 15 dias.

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