Com crise aérea, passageiros migram para rodoviárias

A migração dos passageiros de avião para as rodoviárias, embora tímida, já provoca comemoração no setor de ônibus. As empresas que operam as principais linhas que saem de São Paulo registram aumento na procura por passagens para a Páscoa. A procura deve aumentar ainda mais com os descontos dados pelas empresas. Uma resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicada na segunda-feira, 2, no Diário Oficial da União, passa a ser permitido às empresas de transporte interestadual de ônibus estabelecer tarifas promocionais em qualquer horário e linha, sem precisar aplicar o desconto para todas as poltronas. A medida é uma nova arma na luta por passageiros contra as companhias aéreas, que há muito tempo utilizam esse procedimento. ?Isso aumenta a competitividade e pode levar à recuperação da fatia perdida para as aéreas?, disse José Alexandre Resende, diretor-geral da ANTT. Os ônibus chegaram a representar 95% do transporte interestadual, mas hoje têm 92%. Não há limite para o desconto, mas a ANTT exige a apresentação da promoção para analisar se há concorrência predatória - isso deve ocorrer com até cinco dias de antecedência. As empresas aprovaram a resolução, mas não deverão lançar promoções para a Páscoa por causa do tempo exíguo. Com o agravamento da crise aérea, a Viação 1001, líder na linha São Paulo-Rio, espera aumentar em até 10% a venda de passagens no feriado. Pelo menos 30 ônibus extras serão colocados. As empresas Gontijo e São Geraldo esperam grande procura na Páscoa. Na Viação Cometa, a linha São Paulo-Belo Horizonte já tem quase todos assentos de ônibus-leito vendidos para a véspera do feriado. Até ontem, havia passagens para todos os destinos no Terminal Rodoviário do Tietê. Muitas pessoas que desistiram de voar já reservavam seus bilhetes para a Páscoa. ?Não quero passar perto de aeroporto enquanto eu não vir na televisão que está tudo normalizado?, afirma Lacir Rosa Takehara. Ela e o marido costumavam viajar para o Rio de avião. A aposentada Dalila Ramos também fugiu do aeroporto. ?Normalmente vou de avião, mas se é para ficar esperando, vou de ônibus, que pelo menos tem hora certa para chegar?, diz. Colaboraram Juliano Machado e Thalita Pires.

Agencia Estado,

03 Abril 2007 | 15h30

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