Com crise, procura por ônibus cresce 80%

Paulistano prefere deixar o avião de lado e filas crescem nas rodoviárias

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2030 | 00h00

Ao contrário do ocorrido nos aeroportos, o movimento nas rodoviárias de São Paulo foi intenso ontem. Na Barra Funda, zona oeste, onde circulam ônibus que viajam pelo interior do Estado, o movimento aumentou no fim da tarde. No Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte o fluxo de passageiros foi grande durante todo o dia. Na entrada da rodoviária, pessoas se acumulavam em frente aos elevadores e carros faziam fila para deixar ou pegar passageiros. "Achar um tempo pra conversar é raro", disse a balconista da Companhia Expresso do Sul, Josefa Francisco. Ontem, com o fim das férias escolares e problemas aéreos, o trabalho era intenso. "Não pára de aparecer gente querendo passagens. Muitos trazem aquelas malas com rodinhas e etiquetas de companhia aérea", observou. E é verdade: uma volta pelo terminal e se viam diversas etiquetas indicando Guarulhos, Congonhas e Santos Dumont, por exemplo. Funcionário de uma empresa de telecomunicações, Robson Carneiro Silva era um dos que puxavam uma dessas malas etiquetadas. "Estou chegando de Curitiba", contou. "Eu ia para lá pela TAM, mas meu vôo foi cancelado e tive de sair pela OceanAir. Na volta, a atendente da OceanAir não pôde me dar certeza se o vôo pousaria em Congonhas, então optei pelo ônibus." Para ele, a troca foi vantajosa. "Levei quatro horas para ir de avião, com os atrasos. Voltei de ônibus em seis horas, sem sustos." Silva não foi o único. Em geral, circulam diariamente 90 mil pessoas pelo terminal. "Esperávamos que o movimento aumentasse cerca de 20% em julho, por causa das férias", explicou Roger Freitas, um agenciador responsável por uma das salas de vendas de passagens do grupo JCA (que reúne as empresas Cometa, Expresso do Sul, 1001 e Catarinense). "Mas o que vimos foi um aumento de 80%. As passagens vendidas pela internet dobraram", afirmou. Segundo Freitas, durante toda a semana o Tietê teve movimentação típica de sexta-feira, . "E a sexta-feira teve movimento de feriado prolongado." De acordo com ele, as linhas de maior movimento são as que ligam São Paulo ao Rio, seguidas por Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis. A Socicam (empresa que administra os terminais da Barra Funda e do Tietê) havia feito um levantamento prévio apontando que o movimento entre São Paulo e Rio crescera 30% nas primeiras semanas de julho, passando de 80 para até 125 ônibus diários. Mas, para esta semana, estima-se que esse número seja maior. Todas as empresas que fazem o trajeto estavam colocando carros extras para atender aos passageiros e a maioria dos ônibus deixava o terminal com lotação máxima. Só a empresa Expresso do Sul havia liberado ontem mais dez ônibus com 38 lugares cada. PREÇOS E LANCHES "Eu até pensei em ir de avião para o Rio. Afinal, não tenho medo de voar e os aeroportos estavam vazios, bastava descobrir um vôo que estivesse confirmado", contou Jasmina de Mônaco, que trabalha com filmagens para televisão. "Mas aí eu vi que pela TAM só havia passagens a R$ 400, saindo de Cumbica. Optei pelo ônibus mesmo." Uma passagem de ônibus entre São Paulo e Rio, na classe executiva, custa cerca de R$ 65. Jasmina e seus colegas acabaram, então, trocando o cafezinho do aeroporto por um lanche no terminal rodoviário. "A viagem sai mais barata e acaba levando quase o mesmo tempo", concluiu seu colega Gustavo Chermont. "E a maioria dos ônibus serve mais lanches do que uma barrinha de cereal e exibem filmes", comentou o fotógrafo Walter Firmo, que também ia para o Rio. "Quero ter a certeza de que dormirei em uma cama esta noite, não no chão de um aeroporto. Se o ônibus é mais barato e me dá essa certeza, não há razão pra enfrentar essa anormalidade em que estão os aviões", afirmou. Ele também criticou o preço das passagens aéreas. "Os preços estão absurdos. Se houvesse mais empresas aéreas, haveria competição e preços melhores, mas do jeito que está não dá."

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