Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Com depoimento de Lindemberg, termina 3º dia de julgamento

Trabalhos devem ser retomados às 9h desta quinta-feira, 16, quando começam os debates de acusação e defesa.

15 Fevereiro 2012 | 15h04

Atualizado às 21h44

SÃO PAULO - Terminou às 19h45 o terceiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel em Santo André, em 2008. Com isso, os trabalhos devem ser retomados às 9h desta quinta-feira, 16, quando começam os debates de acusação e defesa.

 

Na sequência, o júri, composto por seis homens e uma mulher se reúnem para decidir o futuro de Lindemberg. O processo deve durar cerca de seis horas. O réu e os advogados já deixaram o Fórum de Santo André, no ABC paulista, em SP.

 

No depoimento dado à juíza Milena Dias, aos promotores do caso e a sua advogada, Ana Lucia Assad, Lindemberg Alves pediu perdão para a mãe de Eloá Pimentel, Ana Cristina Pimentel. 'Quero pedir perdão para a mãe dela em público, pois eu entendo a sua dor. Era muito amigo da família', falou o réu.

 

'Infelizmente foi uma vida que se foi, mas em alguns momentos levamos aquela situação como se fosse uma brincadeira', disse, afirmando que está falando a verdade.

 

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo, Lindemberg queria conversar sozinho com Eloá. 'Mandei os três (Victor Lopes, Iago Vilela de Oliveira e Nayara) saírem do apartamento, mas eles se recusaram', afirmou ele. 'Fiquei surpreso com a presença (deles) e a Eloá ficou assustada ao me ver'.

 

O acusado contou que não sabia o que fazer com a chegada da polícia ao local, pois ficou com medo. "Quando a polícia chegou, fiquei apavorado. Não sabia o que fazer. Só não saímos pois tínhamos medo da reação da polícia", afirmou à juíza Milena Dias.

 

Lindemberg confessou ter atirado contra Eloá. "Puxei a arma quando ela começou a gritar comigo, mentindo que não tinha ficado com o Victor", disse. "Quando a polícia invadiu, a Eloá fez menção de levantar e eu, sem pensar, atirei. Foi tudo muito rápido".

 

Sobre o disparo contra a amiga da menina, no entanto, Lindemberg disse não se lembrar. "Não posso dizer se atirei ou não na Nayara. Eu não me lembro."

 

O depoimento de Lindemberg Alves começou por volta das 14h30, no Fórum de Santo André, no ABC. O pronunciamento dele é aguardado desde 2008, já que o acusado de 12 crimes nunca deu sua versão sobre o caso.

 

Tenente - Mais cedo, o tenente Paulo Sérgio Schiavo disse que Lindemberg assumiu o crime. 'Estou vivo, estou vivo e consegui matá-la', foram essas as palavras que o réu de 25 anos teria dito de acordo com Schiavo, após a invasão policial do apartamento em que mantinha a ex-namorada e a melhor amiga dela, Nayara Rodrigues, como reféns.

 

Schiavo, policial do Gate, detonou a bomba no início do processo de invasão do cárcere pela polícia em 17/10/2008, depois de quase 100 horas. Ele disse que Lindemberg estava eufórico. 'Matei, matei', também teria dito após a invasão.

 

De acordo com o policial, houve um disparo dentro do cárcere, ele detonou a bomba para a invasão do apartamento e, depois, aconteceram mais disparos - ele próprio chegou a ver o réu disparar duas vezes a arma.

 

Previsto para ter duração de três dias - com início na última segunda até hoje - o julgamento já teve algumas tônicas.

 

Segundo dia. Ontem, o depoimento do negociador do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), capitão Adriano Giovanini, causou um choque de versões. Mais de três anos após a morte de Eloá, no ABC, ele continua a afirmar que um disparo no apartamento motivou sua invasão pela Polícia Militar. Sua versão diverge do que relatou a única testemunha ocular, a estudante Nayara Rodrigues da Silva, que alegou que Lindemberg só atirou após ação do Gate.

 

Na parte da manhã, os depoimentos que mais chamaram a atenção foram os dos irmãos da vítima: testemunharam o caçula, Everton Douglas Pimentel e Ronickson Pimentel dos Santos. Em ambos os relatos, os garotos ressaltaram a agressividade e o desequilíbrio de Lindemberg em querer a posse de Eloá. 'Uma pessoa dessas não pode ser considerada ser humano. Podem dizer que era trabalhador, não importa. Ele não é digno de estar na sociedade'.

Primeiro dia. Na segunda-feira, a principal testemunha foi a de Nayara, amiga de Eloá.

 

Emocionada ao relembrar da tragédia e mesmo confrontada pela advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, ela garantiu que Lindemberg planejou o crime. Eloá 'não sairia de lá viva', segundo disse.

Foram ouvidos também os dois amigos de Eloá mantidos como reféns - Victor Lopes e Iago Vilela de Oliveira, ambos de 18 anos. Os dois confirmaram que Lindemberg tinha intenção de matar Eloá desde o início e relataram que foram agredidos pelo réu. Iago prestou depoimento na frente do acusado e afirmou que ele se 'gabava do poder' que adquiriu ao invadir o apartamento, no ABC paulista.

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