Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Com drones e jipes, voluntários oferecem ajuda a vítimas em Brumadinho

Bombeiros, no entanto, realizaram bloqueio na região. Clima no vilarejo mais afetado é de consternação e medo

Renata Batista, Enviada especial

27 de janeiro de 2019 | 03h00

BRUMADINHO (MG) - Jipeiros e operadores de drones voluntários se mobilizaram em torno da localidade de Córrego do Feijão, onde uma barragem da Vale se rompeu na sexta-feira, para tentar ajudar nas buscas aos desaparecidos, mas foram orientados a não entrar nas áreas mais atingidas pela lama. Policiais e bombeiros bloquearam os principais pontos de acesso, para prevenir acidentes. Moradores que não tiveram as casas atingidas permaneceram no local, mas em condições precárias. Não tinham água nem eletricidade.

Dono do Bar do Aritana, Genival Costa de Sá tinha os olhos vermelhos de tanto chorar. Ele contava ao menos cinco conhecidos, frequentadores do local, como desaparecidos. Provavelmente eles ficaram embaixo das toneladas de rejeitos que desceram da barragem. 

Para ele a esperança de voltar a ver os vizinhos com vida é pequena. “Só um milagre de Deus”, disse. “Tem uns 30 metros de barro por cima.” Em um esforço para encontrar desaparecidos, a Advocacia-Geral da União conseguiu liminar na Justiça para que as empresas de telefonia forneçam a relação de assinantes dos celulares que estavam conectados às estações que atendem a região da mina. 

Sem serviços básicos - e sem fregueses -, Costa não abriu o bar, ponto de encontro do lugarejo. O ambiente era de tristeza e medo. “Hoje (sábado) era dia de estar todo mundo aqui, tomando uma”, lamentou André José dos Santos, manobrista em outra mineradora, mostrando-se, agora, preocupado com sua segurança. “Trabalho há dez anos e acho que não tem perigo”, disse. “Mas aqui também a empresa (Vale) fazia reunião e dizia que não tinha problema.” 

Moradores informaram que, antes de ruir, a barragem estava seca em sua superfície. Tanto que, em alguns pontos, era possível até andar sobre ela. Um funcionário da Vale que não quis se identificar contou que, no momento do rompimento, estava em um ponto acima da barragem. Com o barulho das máquinas não percebeu o que acontecia. Quando olhou para trás, estava tudo destruído. “Meu irmão e vários amigos estavam na parte de baixo. Foi muito rápido.”

Aldeia indígena

A lama de rejeitos da barragem chegou neste sábado,  26, pelo Rio Paraopeba, às margens da aldeia Naô Xohã, do povo Pataxó Hã-hã-hãe, em São Joaquim de Bicas (MG), segundo o Conselho Indigenista Missionário. Por causa do risco de transbordamento do rio, os índios tiveram de deixar a aldeia. Também foram evacuados alguns bairros do município.

Segundo o cacique Háyó Pataxó Hã-hã-hãe, a água do rio começou a sofrer alterações de coloração na madrugada deste sábado, e durante o dia já foi possível ver peixes mortos. Após deixarem a aldeia, os índios decidiram não ir à cidade, mas ficar na parte alta da área de 33 hectares, ocupada há um ano e meio. 

As 25 famílias indígenas foram orientadas a não usar água do rio. A aldeia se estabeleceu após a migração de pataxós do sul da Bahia para Minas. Além de São Joaquim de Bicas, cinco prefeituras da Bacia do Paraopeba emitiram alertas para que a população fique longe do leito do rio.

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