Com fim de sacrifícios, falta vaga em canis

Lei de abril fez Prefeitura de SP capturar menos animais das ruas

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

01 Agosto 2008 | 00h00

Quase quatro meses após ser sancionada pelo governador José Serra (PSDB), a lei que proíbe o sacrifício de animais saudáveis em canis e centros de controle de zoonoses já causa impacto na população de cães da cidade de São Paulo. Os canis e abrigos do Município estão lotados e, como a Prefeitura reduziu o serviço de captura, as ruas também registram aumento no número de cães abandonados. Desde 17 de abril, quando a Lei 12.916 entrou em vigor, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) enfrenta superlotação. Todas as 134 vagas destinadas a animais em observação - aqueles que precisam de um período de análise, por terem mordido alguém, por exemplo - estão ocupadas. Há também cerca de 200 cães e gatos nos canis coletivos, além de 60 separados, prontos para adoção. "Se precisar colocar mais (animais), daremos um jeito. Trabalhamos com uma margem de segurança para fazer remanejamentos, mas estamos no limite", diz o gerente do CCZ, Marco Antonio Vigilato. O órgão começou a fazer triagem nos pedidos para capturas. Atendentes do plantão do 156 analisam as ocorrências e dão preferência para animais que invadem grandes concentrações de pessoas, como escolas; sem donos e que atacam pessoas; e acidentados em vias públicas. Outros casos aguardam a existência de vagas. Antes da sanção da lei, em média mil cachorros eram encaminhados ao CCZ da capital por mês. Depois da proibição da eutanásia, o número caiu, sendo recolhidos 449 em maio, 341 em junho e 295 cães em julho (dados dos primeiros 20 dias). Recolhimento de gatos não variou significativamente. A Prefeitura estima que existam 1,5 milhão de cachorros em residências paulistanas e 233 mil gatos. O número é calculado com base na população da cidade, seguindo um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Segundo esse método de contagem, há 1 cão para cada 7 habitantes e 1 gato para 46. Não há um levantamento oficial para os abandonados, mas as ONGs acreditam que 2,6 milhões de animais estejam nessa situação. A grande quantidade já começa a provocar problemas para a população. No centro, os comerciantes reclamam do cheiro de urina deixado pelos animais. Na periferia, porém, está a maior parte dos bichos, onde grupos de até dez cães ficam em locais freqüentados por crianças, como a Praça dos Bombeiros, no Jardim Guançã, zona norte. No Terminal de Cargas da Fernão Dias, na zona norte, os motoristas reclamam dos ataques dos cachorros. No local, há cerca de 15 cães, entre eles uma pit bull. Eles são tratados por Josefa Neli da Silva, de 38 anos, que percorre todos os dias 40 minutos de bicicleta de sua casa para alimentar os animais. Neli trabalhava como conferente de uma transportadora no Terminal de Cargas, mas foi demitida, segundo ela, por sua relação com os cachorros. "Eles diziam que aumentou o número de cachorros aqui, porque eles aparecem atrás da comida que eu trago." Com recursos próprios, ela bancou a castração de quatro animais, gastando R$ 280.

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