Com funcionários em greve, ônibus que vai a estádio para de circular

Categoria parou de trabalhar por falta de pagamento de reajuste; manifestação pode prejudicar transporte de torcedores em Brasília

Jorge Macedo, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2014 | 19h51

Atualizada às 22h33

BRASÍLIA - Cerca de 10 mil rodoviários do Distrito Federal paralisaram suas atividades nesta sexta-feira, 4, em função da falta de pagamento do reajuste de 20% que negociaram com empresários e o Governo do Distrito Federal (GDF) no início de junho. Sem resolução para o impasse, a paralisação preocupa porque deverá prejudicar o deslocamento de quem depende do transporte público na cidade. A cidade receberá hoje o duelo entre Argentina x Bélgica, às 13h, pelas quartas de final do Mundial.

Nos dias de jogos da Copa no Mané Garrincha, o GDF disponibilizou gratuitamente um serviço com 20 ônibus que leva os torcedores da Rodoviária do Plano Piloto até o estádio. O transporte é feito pela empresa Piracicabana, a primeira que aderiu ao movimento grevista ainda no início da manhã. A Polícia Federal estima que até 100 mil argentinos estejam em Brasília nesse fim de semana para acompanhar a partida contra os belgas. Com a greve, milhares de torcedores que utilizam os ônibus precisarão encontrar alternativas para chegar até o palco do jogo.

Com a paralisação, o plano operacional de mobilidade torna-se uma incógnita. Nas partidas anteriores, todas as vias que dão acesso ao estádio foram interditadas quatro horas antes do jogo e liberadas três horas após o fim da partida. Os estacionamentos mais próximos ao Mané Garrincha ficam a cerca de dois quilômetros do local.

O GDF se pronunciou por meio de nota no fim da noite. Nela, afirmou que o documento que legitimava o reajuste não foi assinado e que por isso a folha de pagamento de julho foi rodada sem o aumento. O governo tentou mediar as negociações para encerrar a paralisação, mas não obteve sucesso.

O sindicato dos rodoviários dispensou a participação do GDF e afirmou que negociará diretamente com os empresários. Caso a situação não seja resolvida até a manhã deste sábado, o governo colocará em prática um Plano Emergencial de Mobilidade Urbana para assegurar o transporte da população e também dos torcedores que estão na cidade. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Transportes não quis adiantar o teor do plano.

Por telefone, um dos funcionários da Piracicabana afirmou que o serviço só voltará a ser normalizado quando houver a garantia de que o reajuste será pago integralmente. O aumento beneficiará cerca de 10 mil rodoviários em todo o DF. A negociação da categoria garantiu reajuste de 20% no salário, 20% no vale-refeição, além de 40% na cesta básica. De acordo com o sindicato dos rodoviários, o salário de motorista passará dos atuais R$ 1,6 mil para R$ 1,9 mil. O vale subirá de R$ 347 para R$ 416 e a cesta básica sairá de R$ 140 para R$ 196.

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