Ricardo Araújo/Estadão
Ricardo Araújo/Estadão

Com greve de policiais, Rio Grande do Norte fecha comércio

Agentes da segurança cruzaram os braços por causa de salários atrasados; número de roubos a bancos e de veículos aumenta

Ricardo Araújo, especial para o Estado

20 Dezembro 2017 | 19h53
Atualizado 21 Dezembro 2017 | 12h25

NATAL - Em meio a uma greve de policiais militares, civis e agentes penitenciários, o governo do Rio Grande do Norte pediu nesta quarta-feira, 20,  à Presidência da República reforço no efetivo da Força Nacional e envio das Forças Armadas ao Estado. A União ainda não respondeu à solicitação. Com boatos de arrastões nas ruas, lojas fecharam as portas e potiguares voltaram mais cedo para casa em Natal.

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Os servidores cruzaram os braços, por causa do atraso no pagamento da remuneração de novembro e do 13.º salário. Nesta quarta, os PMs diminuíram o número de agentes e viaturas nas ruas da capital e do interior. Já a Polícia Civil só fazia flagrantes - todas as investigações e cumprimento de mandados estão suspensas. 

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Pelo menos 18 veículos foram roubados na madrugada desta quarta na Grande Natal. A média diária na região é de sete registros por madrugada. Também houve três tentativas de explosão a bancos para roubo - movimento considerado atípico. 

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Além da redução do funcionamento do comércio, durante o ápice das compras de Natal, bancos interromperam os serviços de caixas eletrônicos, temendo novas tentativas de explosão. 

Até o padre Valdir Cândido, da Arquidiocese de Natal, sofreu sequestro relâmpago e teve o veículo, dinheiro e documentos pessoais levados pelos bandidos. “Ao final, eles (os criminosos) pediram: reze por nós”, relatou à polícia. 

“Estava em uma loja fazendo compras com minha cunhada e percebemos uma movimentação estranha e os vendedores fechando as portas das lojas. Homens tentavam arrombar”, contou a dona de casa Alba Macedo. “Depois, ouvimos fogos de artifício, que pareciam tiros. Foi um grande e generalizado tumulto. Muita gente se jogou no chão da loja, outras correram procurando abrigo pensando que era tiroteio”, disse.

A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Natal, disse, em nota, que o comércio volta a funcionar normalmente nesta quinta-feira, 21, com garantia de reforço na segurança.

Parte dos médicos e enfermeiros também não foi trabalhar por causa dos problemas de pagamento. 

Reivindicações

Há 23 meses, o pagamento dos salários dos servidores estaduais potiguares ocorre fora do mês trabalhado. “A revolta dos servidores é generalizada”, declara a presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil, Paoulla Maués.

Nas unidades prisionais, também foram suspensos o banho de sol, as revistas e as visitas, segundo Vilma Batista, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários.

 

A administração estadual aguarda a liberação de aproximadamente R$ 750 milhões prometidos pela União, prevista para segunda-feira. “Estamos tentando encurtar esse prazo. Destaco aos servidores que estamos juntos, lado a lado, nessa batalha”, disse o governador Robinson Faria (PSD). A partir desta quinta, serão pagos os salários dos servidores que ganham até R$ 2 mil. 

Esta é a quarta crise de segurança que o Estado vive nos últimos anos. Em 2015, o governo do Rio Grande do Norte declarou emergência por causa de rebeliões em presídios. Em 2016 e em janeiro deste ano, houve uma série de ataques nas ruas, relacionados a facções criminosas, o que exigiu socorro das Forças Armadas.

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