Com homicídios em alta, turismo na Bahia teme má propaganda

Salvador já tem um índice de 61 homicídios a cada 100 mil habitantes, mas ainda não é possível perceber decréscimo no número de visitantes na cidade, que espera receber 2 milhões neste ano

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 20h25

SALVADOR - O forte crescimento do número de homicídios na última década na Bahia, em especial em Salvador - que já tem um índice de 61 homicídios por 100 mil habitantes -, causa temor entre os empresários do setor de turismo do Estado.

 

Veja também:

linkNE tem escalada de mortes violentas em 10 anos, mostra estudo

linkSão Paulo cai do 5.º para o 25.º mais violento

linkAcaraú e Barbalha (CE) têm o trânsito mais violento

link1 branco é morto no País para cada 2 negros

documento As 100 cidades mais violentas do Brasil

 

"Já é possível perceber um prejuízo institucional para a cidade", afirma o presidente do Conselho Baiano de Turismo (CBTur), Sílvio Pessoa. "Os turistas começam a pensar duas vezes antes de comprar uma viagem para Salvador, passam a ter de pesquisar sobre lugares violentos da cidade. E se a situação continuar, é capaz que passem a optar por outras cidades."

 

De acordo com ele - e com a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) -, ainda não é possível perceber decréscimo no número de visitantes na cidade. Pelo contrário: este verão, Salvador deve receber 2 milhões de turistas, segundo a Setur, 550 mil apenas durante o carnaval.

 

"Tivemos o melhor janeiro dos últimos anos, vamos fechar fevereiro com mais de 80% de ocupação nos hotéis e a maioria deles já está lotado para o carnaval", diz Pessoa. "Mas temos de focar esforços para que a situação não seja revertida." No próximo dia 2, será realizada uma reunião entre o empresariado e o novo secretário de Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, que assumiu o posto há um mês. "Vamos pedir mais policiamento ostensivo nos principais pontos turísticos, para pelo menos aumentar a sensação de segurança", diz Pessoa.

 

A SSP ainda tenta entender o motivo da expansão dos homicídios na Bahia - e em particular em Salvador. Um estudo, que está sendo realizado pela secretaria, vai mapear os assassinatos por área, horário e perfil de vítima, tentando traçar um padrão para os crimes - um dos poucos tipos que continuam crescendo no Estado. A principal tese dos policiais aponta para o crescimento da atuação de grupos de tráfico de drogas no Estado, em especial a partir de 2005 - quando foram intensificadas políticas de repressão ao comércio de entorpecentes no eixo Rio - São Paulo.

 

Corrobora para a suspeita o fato de que o grande avanço dos homicídios na Bahia foi registrado entre 2006 e 2008, quando o número de assassinatos saltou de 3.222 para 4.612, alta de 43,1% em apenas dois anos. Apenas entre 2007, quando foram registrados 3.718 homicídios, e 2008, a alta foi de 24%. Depois disso, os índices continuaram evoluindo, mas em ritmo menor - 2010 fechou com 4.856.

 

Para a SSP, 80% dos assassinatos estão diretamente relacionados com o tráfico, em situações como disputas por pontos de venda, cobranças de dívidas, acertos de contas e confrontos de policiais com traficantes. Quase todos os homicídios têm como vítimas moradores de bairros periféricos, que são assassinados em casa ou nas proximidades.

 

A constatação levou a SSP a montar um projeto de instalação de bases comunitárias - espécie de Unidade de Polícia Pacificadora, como as montadas no Rio - em áreas de maior criminalidade. "Precisamos incentivar a permanência de policiais nessas regiões", afirma o secretário. A primeira base deve estar em funcionamento até o fim do ano.

 

"Nos circuitos turísticos, Salvador ainda é uma cidade segura, desde que o visitante não saia ostentando joias, eletrônicos ou dinheiro", avalia Pessoa. "São cuidados que devem ser tomados em qualquer destino turístico."

Tudo o que sabemos sobre:
BahiaturismocrimehomícidiosSalvador

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.