Com impasse, negociações para fim da greve da PM na Bahia são suspensas

Governo estadual e policiais não conseguem acordo; segundo grevista foi preso em Salvador

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2012 | 19h19

SALVADOR - Foram nove horas de negociações na segunda-feira e mais sete entre a manhã e a tarde desta terça-feira, 7, mas sem resultados. Os discussões entre o governo da Bahia e a associações de policiais militares pararam sem que chegassem a um acordo para o fim da greve parcial promovida pela PM no Estado há uma semana. As reuniões foram intermediadas pelo arcebispo de Salvador, dom Murilo Krieger, e por representantes da Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA).

O governo aceita pagar a Gratificação de Atividade Policial (GAP) de nível 4, considerada a principal reivindicação da categoria na Bahia, mas o pagamento seria feito apenas a partir de novembro. A GAP de nível 5, seria incorporada a partir de 2014. "Não há espaço no orçamento para que o pagamento da GAP 4 seja realizado agora", justifica o governador Jaques Wagner.

Os policiais, porém, reivindicam o pagamento da GAP 4 a partir de março, e a inclusão da GAP 5 em 2013, além de pressionar para que o governo dê anistia geral para os integrantes grevistas da categoria, desde que não tenham sido flagrados cometendo crimes.

Além disso, as associações pedem garantias de que os mandados de prisão já expedidos contra as lideranças da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), sejam cumpridas na Bahia, de preferência em prisões militares. O governo também descarta a possibilidade de anistia para policiais que estejam envolvidos em crimes realizados durante a paralisação.

Prisão. Nesta tarde, foi cumprido o segundo mandado de prisão contra líderes do movimento. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, o sargento Elias Alves de Santana, dirigente da Associação dos Profissionais de Polícia e Bombeiros Militares do Estado da Bahia (Aspol) e apontado como um dos líderes do movimento de amotinados, foi detido sob acusação de roubo de patrimônio público (viaturas policiais) e de formação de quadrilha.

Além das acusações, Santana também vai responder a inquérito administrativo da corporação. A SSP não divulgou detalhes sobre a prisão, mas o sargento não estava entre os amotinados da Assembleia Legislativa. As acusações são as mesmas que levaram o soldado Alvin dos Santos Silva à prisão no último domingo. Alguns dos outros dez foragidos, entre eles o presidente da Aspra, Marco Prisco, são também acusados de incitação à violência.

Ainda de acordo com a SSP, há investigações contra policiais militares envolvendo crimes como vandalismo, saques e homicídios ocorridos nos últimos dias na Bahia. Entre eles, os assassinatos de oito moradores de rua - entre eles o de uma mulher que amamentava a filha de 7 meses na Praça da Piedade, no centro de Salvador, e as chacinas de quatro sem-teto no bairro de Pituaçu e de três no bairro de Valéria.

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