Com Lei Seca, mortes por acidentes no trânsito caem 15,4%

Apesar de confirmar a mudança de comportamento dos brasileiros no trânsito, número não assegura que motorista respeita mais a lei

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2014 | 03h00

Apesar de confirmar a mudança de comportamento, os dados não asseguram que o brasileiro está respeitando mais a lei. As informações do Vigitel especificavam até 2011 apenas o uso abusivo, mas não de qualquer quantidade de álcool - dado que passou a ser considerado no ano seguinte. No ano passado, 5,2% dos entrevistados confirmaram ter infringido a lei.

Já se for realizada uma comparação com outras estatísticas, como a de mortes no trânsito e o número de autuações, o resultado mostra possíveis reflexos da lei. No Estado de São Paulo, o número de mortes por acidentes no trânsito teve queda de 15,4% no mesmo período do estudo. De acordo com a Secretaria da Segurança, houve 4.844 mortes em 2007, ante 4.195 em 2013. A maior queda aconteceu no último ano, entre 2012 e 2013, a redução foi de 10,3%.

Já no levantamento de autuações na cidade de São Paulo, do Comando do Policiamento do Trânsito, houve aumento entre os anos de 2008 e 2009 (de 4.790 para 39.021) e queda de 2012 para 2013 (de 13.404 para 6.141). A diminuição recente de autuações, segundo a Polícia Militar, é reflexo das estatísticas mais baixas de morte no trânsito. A PM deslocou a fiscalização para focar em outros fatores que causam preocupação, como a falta de habilitação dos condutores.

Se considerada a proporção de motoristas abordados e autuados, no entanto, percebe-se que a fiscalização tem se tornado mais efetiva. A média foi de uma pessoa multada a cada 12 abordadas em 2012. Em 2013, uma a cada 9.

Para o chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, a fiscalização da lei seca ainda é precária. “Nós não temos como afirmar que os números hoje obtidos pelos municípios e Estados sejam reais. Vemos uma fiscalização pontual”, disse. Segundo o especialista, falta fiscalização nas regiões periféricas e no interior.

Lei. Um anteprojeto que prevê penas maiores para quem causar acidentes por dirigir embriagado atingiu, na última semana, a marca de 1 milhão de assinaturas. Idealizado pela ONG Não Foi Acidente, que reúne familiares de vítimas de atropelamento, faltam 300 mil apoiadores para que o texto vire projeto de iniciativa popular para análise do Congresso.

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