Com liberação, prédio pode valer R$ 80 mi no Ibirapuera

Conpresp adiou para daqui 15 a dias decisão sobre destombamento de entorno do parque, que libera construção de edifícios de até 18 andares

Sérgio Duran e Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2008 | 00h00

O projeto em estudo pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (Conpresp) de liberar construções mais altas na vizinhança do Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, pode criar empreendimentos milionários. Apenas o preço do terreno, segundo avaliação superficial da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), poderia pular de cerca de R$ 2 mil o metro quadrado para R$ 6 mil.O preço do metro quadrado de área útil de um dos apartamentos já existentes na região custa, em média, R$ 8 mil. Em anúncios do Estado, há apartamentos nas Ruas Afonso Brás, Escobar Ortiz e Diogo Jácome que chegam a custar R$ 13 milhões, com até 780 m² de área. Porém, entre os prédios mais antigos, de 150 m² a 200 m², é possível adquirir unidades por, em média, R$ 1 milhão.Um empreendimento-padrão, em um terreno localizado nas seis quadras cuja verticalização pode ser liberada pelo Conpresp, poderia movimentar quase R$ 80 milhões. A conta leva em consideração o preço do metro quadrado de área útil, multiplicado por 500 (área média de um apartamento de luxo na região), sendo um por andar, em 18 pavimentos.Segundo Luiz Paulo Pompéia, da Embraesp, deve-se considerar que alguns terrenos na região da Praça de Milão oferecem vista perpétua para a parte mais bonita do parque - o lago. "É uma análise difícil, de caso a caso", diz. Os lançamentos oferecem bons lucros e liquidez: vendem rápido por causa da vista e do luxo. Com uma única unidade, pode-se movimentar até R$ 13 milhões, como o apartamento à venda no prédio neoclássico da Rua João Lourenço.O Conpresp decidiu pôr em votação a proposta que partiu da Prefeitura motivada pela reivindicação de proprietários que se sentem lesados pela restrição a novas construções a 10 metros de altura. A idéia, cuja discussão foi adiada de terça-feira para daqui a 15 dias, libera a verticalização para até 25 metros (oito andares) e 54 metros (18) em seis quadras da região. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai encaminhar hoje ou amanhã à Câmara Municipal projeto de lei proibindo o destombamento da área.A possibilidade de novos prédios no entorno do Ibirapuera divide a opinião de moradores. "Quando me mudei, a região era tranqüila, depois vieram os primeiro prédios e aumentou o movimento. Se tiver mais, vai piorar", disse a comerciante Iris Guimarães. Ela vive há 20 anos em uma das poucas casas da Rua Diogo Jácome. Na mesma rua, o cozinheiro Eduardo Luís dos Santos concorda com o destombamento. " Se liberar a construção de prédios, a gente vende a casa de vez." Na Rua Afonso Braz, quatro imóveis estão vazios há meses. Segundo comerciantes, os donos esperam o destombamento para vendê-los.

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