Com loteamento, debates cruciais são esquecidos

As denúncias de corrupção e de tráfico de influência no Ministério da Agricultura afastaram da pasta o debate sobre temas fundamentais na crise mundial, como uma política de produção de fertilizantes e de modernização de portos para a exportação de commodities.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2011 | 00h00

Não se fala também na política de produção e distribuição do etanol até 2020, quando todos têm consciência de que esse é um problema que só tende a se agravar com o aumento da demanda por veículos flex. Atolado em denúncias, o ministério nem sequer trata de um tema atual no País, o Código Florestal.

O aparelhamento político na pasta feito por Wagner Rossi pode comprometer um setor de importância vital para o País, que tem no agronegócio uma das forças da economia brasileira. Rossi entrou na cota pessoal do vice-presidente Michel Temer, o que engessou a presidente Dilma Rousseff. Se tirá-lo, ela desagrada a seu substituto imediato e briga com o maior partido no Congresso.

Como Rossi não é um expert em agricultura - embora tenha presidido a Conab por mais de três anos -, mas um político, ele teve de lotear a pasta para se sustentar no cargo. O ministério e a Conab são divididos entre o PMDB, o PTB e o PT.

Na pressão do dia a dia, Rossi teve de acomodar na Conab parentes de dirigentes do PMDB, como Rodrigo Calheiros, filho do líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL); Mônica Azambuja, ex-mulher do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN); Matheus Benevides Gadelha, neto do deputado Mauro Benevides (PMDB-CE); e Adriano Quércia, neto do ex-governador Orestes Quércia.

Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que havia assumido a diretoria financeira da Conab, acabou demitido sob suspeita de ter feito um pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa dirigida por laranjas. Em represália, denunciou Rossi, dizendo que o ministro entregou o setor a "bandidos". E Rossi confessou que só o nomeou para a Conab para fazer um favor ao irmão Romero Jucá.

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