Com medo de atraso, empresas têm plano B

Se reforma não sair nos próximos meses, funcionários serão remanejados

Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

27 de janeiro de 2009 | 00h00

Entre as 21 empresas habilitadas para ocupar a Nova Luz, já há aquelas que estudam um plano B, casos as prometidas reformas na área não saiam do papel nos próximos meses. É o caso da BRQ IT Services, que hoje tem escritório na Vila Olímpia, zona sul, e cuja expansão já foi planejada se levando em conta a mudança para o centro, de acordo com o proprietário, Benjamin Quadros. "A previsão para a entrega do nosso espaço é 2010, mas, se não estiver pronto até lá, podemos tirar esses funcionários de São Paulo, levá-los para outros Estados", diz.Quadros pretende levar 2 mil funcionários para a Nova Luz, caso os projetos andem conforme o esperado. "Nossa preocupação maior é com o atraso, com a mudança da região. Hoje, o ambiente lá é complicado para os funcionários que saem de madrugada."Uma das maiores novidades será a construção de um edifício de sete andares e 12 mil metros quadrados, próximo da Rua dos Andradas, pela DMF Construtora. Uma das empresas que se instalará ali será a Microsoft Brasil. "O conceito do programa Nova Luz é brilhante. Falta a execução", diz Carlos Eduardo Sampaio, da DMF, que também mudará para a região. De acordo com o secretário municipal de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, a área estará "irreconhecível" em três anos. "Se você comparar com o que era há quatro anos, a diferença é notável", diz. Os traficantes, de acordo com ele, saíram de lá, mas ainda há muitos viciados nas ruas, o que é confirmado pela Polícia Militar. "O efetivo do policiamento aumentou e é a única região da capital que é lavada todos os dias."ATRASOQuatro empresas e instituições habilitadas para se instalar na Nova Luz - IBM Brasil, Instituto Moreira Salles, Mercado Eletrônico e BR Properties - solicitaram à Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), em 2008, esclarecimentos jurídicos adicionais sobre os termos dos contratos de concessão de benefícios fiscais. Assim, as assinaturas atrasaram.Para as duas empresas já estabelecidas, a demora do governo municipal é injustificável. "Eu pago aqui mais ISS (Imposto sobre Serviços) do que pagava na cidade onde era a sede da empresa. Meu contrato já está pronto desde janeiro, já mandei todos os documentos possíveis e ainda não assinei nada", diz Carlos Alberto Viceconti, da DigiSign. "Não temos notícia nenhuma sobre em que pé as coisas estão", diz Celene Marrenga, da agência de comunicação Fess?Kobbi.Segundo a Prefeitura, as empresas já estabelecidas devem aguardar uma auditoria a ser feita pela Secretaria Municipal de Finanças em notas fiscais e documentos que provem suas atividades na Nova Luz. Após isso, os incentivos fiscais serão liberado "entre fevereiro e março", segundo Matarazzo.

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