Com medo, fiscais suspendem trabalho no sul do Pará

Fiscais da Delegacia Regional do Trabalho no Pará decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado nos municípios de Marabá, Redenção, Xinguara e Parauapebas, no sul do Estado, onde estão as maiores ocorrências de trabalho escravo no País. Com medo de trabalhar na região, conhecida pela quantidade de pistoleiros que andam livremente pelas ruas e pelos crimes de encomenda, os fiscais decidiram que só retomarão as atividades quando tiverem a proteção de agentes da Polícia Federal.O estopim para a decisão dos fiscais, que conta com o apoio da delegada do Trabalho no Estado, Socorro Gomes, é a suspeita de participação de pistoleiros residentes no Pará nos assassinatos de três fiscais do Trabalho em Unaí, Minas Gerais, na semana passada. A polícia investiga se os crimes teriam sido encomendados por fazendeiros mineiros que também possuem propriedades no sul do Pará.A presidente da Associação dos Auditores do Trabalho do Estado do Pará, Rosângela Silva Raffy, disse que o movimento não pode ser considerado uma greve ou paralisação. "A própria delegada Socorro Gomes concordou que as metas de fiscalização previstas para o primeiro trimestre fossem revistas e dispensou a fiscalização temporária nos quatro municípios". Por ter condenado um fazendeiro no ano passado pela prática de trabalho escravo, o juiz da Vara do Trabalho de Parauapebas, Jorge Vieira, passou a sofrer ameaças de morte. Por determinação da presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, Vieira foi impedido de retornar ao município. Ele atua hoje em Belém, mas disse que só voltará à Parauapebas se tiver proteção federal.

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