WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Com o motim capixaba, mortes avançam 276%

Governo e força-tarefa investigam a participação de PMs em parte dos 143 crimes em dez dias; Justiça manda mulheres liberarem batalhões

Marcio Dolzan, Vinícius Rangel e Mariana Durão, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2017 | 15h58

VITÓRIA - Desde o dia 4, quando começou o motim de policiais militares, até esta segunda-feira, 13, o número de homicídios no Espírito Santo chegou a 143 – alta de 276% ante igual período de 2016, em que houve 38 mortes. Os dados são do governo capixaba, que divulgou o balanço de homicídios pela primeira vez nesta terça. 

Serra, na Grande Vitória, reúne 32 mortes – mais de uma em cada cinco. A escalada de mortes, muitas com indícios de execução, leva o governo a suspeitar da participação de policiais em assassinatos. Segundo o secretário de Segurança Pública, André Garcia, mais de 30 denúncias foram feitas à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. 

Para ele, há um grupo radical no movimento de PMs, responsável por ameaças e atentados. “Se houver participação de militares, de milicianos – que é isso que está se formando neste Estado, milícias radicais –, serão combatidos.” Já existe força-tarefa exclusiva para a apuração, com apoio de agentes federais. A declaração foi criticada pelo presidente da Associação Nacional de Praças, Elisandro Lotin. “Parece mais uma tentativa de desmerecer o movimento.”

 

Justiça. Ainda sem acordo do Estado com as mulheres de PMs, hoje a paralisação chega ao 12.º dia. A Justiça capixaba ordenou que as mães, mulheres e filhas que bloqueiam os batalhões deixem os espaços imediatamente, sob pena de multa diária de R$ 10 mil para cada uma. 

Elas também devem retirar todo e qualquer obstáculo diante dos portões. A decisão do juiz Mário da Silva Nunes Neto, da 3.ª Vara da Fazenda, é em caráter liminar e cita dez líderes. 

 

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