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Com pandemia, explode procura online por tablet e aspirador de pó robô

Além de buscar mais alimentos e outros itens básicos, o que era previsível, o brasileiro decidiu equipar a casa para poder se virar sozinho

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2020 | 12h00

Confinado em casa há quase um mês, o brasileiro mudou não só a forma de fazer compras, com o avanço exponencial do comércio online, mas também o que compra. Além de buscar mais alimentos e outros itens básicos na internet, o que era previsível, ele decidiu equipar a casa para poder se virar sozinho. A sua nova lista de compras nas lojas online inclui produtos que ajudam a montar o home office, facilitar a rotina do trabalho doméstico, exercitar o físico e até dispensar a babá, a ida ao cabeleireiro, à padaria e ao petshop, por exemplo.

A explosão na procura por tablet e aspirador de pó robô sintetiza a nova rotina dentro de casa que o isolamento impôs. De toda forma é bom lembrar que a procura por esses dois produtos era muito pequena antes da pandemia.

Um modelo de tablet voltado para crianças, por exemplo, foi o produto mais procurado na internet nos primeiros quinze dias de isolamento, com um avanço de 17.152% em relação ao período imediatamente anterior, segundo o site de comparação de preços Zoom, que recebe 60 milhões de visitas por mês.

A venda de aspirador de pó robô que limpa a casa sozinho, por exemplo, também teve um boom: aumentou 721% na semana da virada de março para abril em relação a igual período de 2019, aponta a empresa pesquisa GFK que monitora as maiores varejistas.

"A procura por aspirador robô teve crescimento absurdo, foi uma surpresa", diz o diretor da GFK, Fernando Baialuna. No caso do tablet, ele lembra que esse era um produto que estava praticamente enterrado. Tinha caído em desuso antes da pandemia diante da preferência do consumidor pelo smartphone e notebook.

Thiago Flores, CEO do Zoom&Buscapé,  acredita que o tablet foi ressuscitado porque os pais hoje precisam entreter as crianças em casa enquanto trabalham. Por isso, outros itens menos tecnológicos e que cumprem a mesma função tiveram aumento significativo na procura. O velho quebra-cabeças, por exemplo, registrou alta de 581% em março deste ano em relação ao mesmo período de 2019, segundo o site Compre&Confie.

Com todo mundo dentro de casa, diz Flores, há duas tendências muito claras de mudança de comportamento de consumo. A primeira, mais óbvia, é comprar itens de supermercados pela internet, que até hoje representavam muito pouco do comércio eletrônico. A segunda e mais curiosa, em sua opinião, é adquirir itens para a casa que tragam mais conforto para momento atual e que permitam executar tarefas sozinho. Nesse grupo, registra-se a maior procura por equipamentos de ginástica, para o escritório, cuidados com saúde (termômetro) e aparência (máquina para cortar cabelo e tintura para cabelo) e até mesmo eletrodomésticos tradicionais, como o fogão.

Esse é o caso da nutricionista Fátima Barbosa, de 62 anos. Afastada do hospital onde trabalha e que é referência da covid-19, ela começou a cozinhar com mais frequência e percebeu que estava na hora de trocar o fogão. Resultado: já comprou pela internet um novo. Nesse período de quarentena, também comprou uma TV para o filho de 24 anos para tentar segurá-lo em casa e uma máquina para fazer pão para o marido não precisar ir à padaria. "Comprei coisas que estão fazendo a diferença para nós."

Já a arquiteta e promotora de eventos Isabela, de 45 anos, e com um filho de 10 anos, diz que já tinha a casa "preparada" para a pandemia. Faz tempo que ela usa um aspirador de pó robô. "Esse aspirador é a salvação", conta.  Mesmo assim, desde o início do isolamento comprou um computador novo para o filho, um Mop, espécie de vassoura que facilita a limpeza, e se prepara para adquirir uma lava-louças. Com todos em casa, a louça aumentou e tarefa de lavar ficou com o  marido, depois que ele começou o home office.

Perto de Fátima e de Isabela, a compra provocada pelo confinamento da editora de texto Adriana Jorge, de 48 anos, tem sido bem mais modesta. Ela conta que comprou um xampu para dar banho a seco no seu cãozinho Freud porque o petshop fechou. Antes, gastava R$ 50 por mês a cada ida ao petshop. Agora dá banho seco toda semana e desembolsou R$ 26 pelo produto comprado pela internet. "Ficou mais econômico."

TENDÊNCIA

Para Baialuna, da GFK, a grande preocupação para os especialistas em comportamento é saber se, passada a crise, qual será o “novo normal”. “Se a brasileira ia duas vezes por mês ao cabeleireiro, será que ela irá uma vez; será que vai manter a mesma freqüência nos bares e restaurantes, depois que investiu na casa”, questiona o especialista, ponderando que as demandas poderão ser diferentes.

Na opinião do consultor Alexandre Machado, sócio-diretor da GS&Consult, consultoria especializada em varejo, a resposta a essas questões depende do tempo de duração da crise e do tamanho do bolso do consumidor quando ela terminar. Ele observa que normalmente após crises o hábito de consumo de serviços é repensado. No entanto, a demanda por serviços para tarefas mais árduas e que não trazem nenhum prazer, como a limpeza da casa, por exemplo, deve voltar à normalidade.

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