Com PM em greve, Bahia vai ter reforço da Força Nacional e do Exército

Primeiros agentes devem chegar ao Estado à noite; arrastões deixam cidades em clima de insegurança

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2012 | 19h48

SALVADOR - O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, confirmou, na tarde desta quinta-feira, 2, a chegada de 150 policiais da Força Nacional, que devem desembarcar em Salvador às 22 horas, e de mais 500 nas próximas 48 horas. Além disso, o governador Jaques Wagner requisitou do governo federal a presença de tropas do Exército para fortalecer a segurança no Estado.

O pedido do governo baiano pelo reforço no policiamento ocorre por causa da paralisação parcial da Polícia Militar no Estado, iniciada na tarde de terça-feira, a partir de uma assembleia realizada pelos integrantes da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), uma das nove entidades que representam a categoria na Bahia.

De acordo com Barbosa, dois terços do efetivo da PM no Estado trabalham normalmente, mas há relatos de paralisação das ações policiais, com consequências como vandalismo e arrastões, em algumas grandes cidades, como Ilhéus, no litoral sul do Estado, e Feira de Santana, segundo maior município baiano, a 110 quilômetros de Salvador. O comando da Polícia Militar informou ter enviado reforços para a segurança dos dois municípios.

"Nossa intenção é reforçar a sensação de segurança, já que a PM está nas ruas e apenas uma minoria está promovendo atos de vandalismo", afirma o secretário. "A presidente (Dilma Rousseff), em entendimento com o governador, deixou claro que vão ser enviados quantos homens forem necessários para restabelecer a sensação de segurança, que a Bahia será tratada como caso exemplar."

Em Salvador, ameaças de arrastões levaram lojistas do Centro a encerrar as atividades mais cedo. O trânsito em algumas das principais avenidas da cidade, como a Paralela - a mais movimentada de Salvador - e a Octávio Mangabeira, na orla da cidade, foi bloqueado, supostamente por policiais grevistas, no fim da tarde, causando congestionamentos por toda a capital baiana.

Para realizar o bloqueio das vias, homens armados tomaram ônibus coletivos e os atravessaram nas pistas. Além disso, desde o início do movimento, cerca de 100 integrantes da associação estão acampados na entrada da Assembleia Legislativa.

Melhorias. Os cerca de dois mil filiados à Aspra, do universo de 32 mil PMs e bombeiros da ativa na Bahia, decidiram paralisar as atividades para cobrar do governo a incorporação de gratificações aos salários, além de regulamentação para o pagamento de adicionais, como de periculosidade e acidente. As outras associações de classe ainda não aderiram à paralisação e o comando-geral da PM diz não reconhecer a Aspra como entidade de classe.

Justiça. Na manhã de hoje, o juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública da Bahia, Ruy Eduardo Almeida Brito, acolheu requerimento do Estado e determinou que os integrantes da associação suspendam a paralisação. A liminar prevê multa de R$ 80 mil por dia para a associação, em caso de descumprimento.

O presidente da Aspra, Marco Prisco afirma não ter recebido a determinação judicial, mas diz que a liminar não prejudicará o movimento grevista e que o departamento jurídico da entidade foi acionado "para tomar as providências necessárias" para a manutenção da paralisação.

Em nota, o governador Wagner disse que vai usar "medidas enérgicas" para defender "os interesses maiores da população baiana". "Não admitirei que a segurança da população baiana seja colocada em risco por um pequeno grupo de pessoas, ainda mais porque estas desconsideraram a decisão judicial que considerou a greve ilegal", diz o texto.

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