Com presença de ministra, lésbicas selam união em casamento coletivo no RS

Local original da cerimônia foi incendiado durante a semana; evento contou com 29 casais

Lucas Rivas, Especial para o Estado

13 de setembro de 2014 | 19h45

SANTANA DO LIVRAMENTO - Alvo de polêmica sobre casamento gay em umCentro de Tradições Gaúchas (CTG) no Rio Grande do Sul, o casal Solange Ramirese Sabriny Benitez selou a união homoafetiva em um casamento coletivo realizadona tarde deste sábado, 13, em Santana do Livramento, na fronteira do Estado gaúcho com o Uruguai, que contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti. Ao todo, 29 casais participaram da cerimônia. Elas eram o único casalgay.

O palco para cerimônia seria o CTG Sentinelas doPlanalto, de Santana do Livramento. No entanto, depois de um incêndio criminosoocorrido no local, na quinta-feira, o casamento foi transferido para o fórum dacidade fronteiriça.

Solange e Sabriny foram recebidas com muitos aplausos durante a cerimônia em Santana do Livramento. Após o casamento, Sabriny sintetizou. "Queremos agora é ser feliz", resumiu.

Ideli isentou o Estado gaúcho de ser homofóbico e racista. “Infelizmente estes crimes acontecem no território brasileiro como um todo. Porisso que, quando acontece, nós temos que dar muita atenção para que a sociedadebrasileira como um todo crie um constrangimento social para que as pessoas nãomanifestem preconceito e não tenham manifestações violentas”, avaliou.

A ministra lamentou que episódios envolvendohomofobia também tenham ocorrido dias atrás em Goiás e Piauí. Ela pediuceleridade para que o Congresso aprove uma lei para combater crimeshomofóbicos. “A criminalização da homofobia é um avanço legislativo que precisamos ter e que o Congresso precisa aprovar”, disse.

Como a juíza gaúcha Carine Labres determinou arealização de um casamento coletivo, com gays, em um CTG, a magistrada passou ater proteção 24 horas desde quinta-feira. Em função do incidente, o presidentedo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, desembargador José Aquino Flôresde Camargo, também foi à cidade de Santana do Livramento para trazer maissegurança à juíza e ao processo jurídico do casamento coletivo.

Por causa da cerimônia, um grande aparato policialfoi montado pela Brigada Militar gaúcha. Apenas os noivos e familiarestiveram acesso à rua Barão do Triunfo, onde fica a sede do judiciário dacidade.

O altar onde foi presidida a cerimônia ganhou asbandeiras do Rio Grande do Sul. Uma bandeira que representa o movimento deLésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) foi estendida na mesa onde osnoivos trocaram alianças. 

A Polícia Civil já identificou quatro suspeitosde terem ateado fogo no CTG  Sentinelas do Planalto, porém, ninguém aindafoi preso. O local passa por reparos para receber eventos do folclore gaúcho,marcado para este domingo.

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