Com Preta Gil e sem Beth Carvalho, Mangueira empolga

O desfile da Estação Primeira de Mangueira, no início da madrugada deste domingo, ficou manchando por uma mal entendido. A diretoria da Verde-e-Rosa expulsou do carro dos baluartes a sambista Beth Carvalho, mangueirense histórica e madrinha da Velha Guarda. Sem desfilar, Beth chorou. ?Fui muito humilhada. Esse casamento acabou.? A polêmica com a direção começou há alguns dias, quando a cantora pediu lugar num carro alegórico, por problemas na coluna, que a impediria de desfilar no chão. Há três dias, a diretoria da Mangueira avisou que ela poderia sair em um determinado carro. Quando chegou à concentração, o presidente que havia garantido o lugar, passava mal e ninguém soube informar em qual Beth deveria ir. Outro problema no desfile da Mangueira foi a ausência da ala "Catequisar é Preciso". Os 60 componentes ficaram sentados no chão da avenida, sem uma explicação sobre o motivo pelo qual não sairiam. ?Isso nunca aconteceu antes: deixaram a comunidade e a Beth Carvalho de fora?, afirmou uma componente da ala, que se identificou apenas como Tânia. Outra passista, Rita Cássia, ficou sentada no meio-fio às lágrimas. ?A gente até agora não entendeu nada. Estava todo mundo pronto para entrar na avenida. Mandaram a gente parar e depois soubemos que não iríamos mais desfilar?, contou. A Mangueira, terceira escola a entrar na Marquês de Sapucaí, cantou o samba-enredo "Minha pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor". O carnavalesco Max Lopes foi do Coliseu romano ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, para homenagear o português. Os quase 4500 componentes, que coloriram a avenida, acompanharam durante todo o percurso o ritmo do puxador Luizito, que substituí o interprete oficial da escola, Jamelão, com problemas de saúde. A Comissão de frente, vestida de Luiz de Camões, trouxe inovações e emocionou o público presente. Os integrantes carregaram letras de papelão e formava mensagens, como "Jamelão", "Paz" e "João", em homenagem ao bruto assassinado de João Hélio Fernandes, o garoto de 6 anos que ficou preso ao cinto de segurança e foi arrastado por sete quilômetros. Emocionado depois do desfile, o bailarino Carlinhos de Jesus, coreógrafo da comissão de frente, lembrou as dificuldades pelas quais a escola passou no período que antecedeu o carnaval, como a ausência de Jamelão, enfarte do substituto, Luizito, e a falta de recursos financeiros para o desfile. "A Mangueira vive na adversidade. Quando você fere os brios, ela refloresce. As flores murcham, mas depois renascem", afirmou. Outro destaque da escola foi a rainha de bateria, Preta Gil. Para ela, o momento de maior emoção do desfile foi no recuo, quando avistou seu pai, o ministro Gilberto Gil. Preta chorou e correu em sua direção. Deu-lhe um selinho e o abraçou forte. Gil também se emocionou. Antes do encontro, o ministro da Cultura comentou que estava muito orgulhoso da filha: "Ela sempre foi assim, desde pequenininha, cheia de energia. Ela montava um palco lá em casa e ficava horas." Ainda na concentração, Preta demonstrava bastante confiança, apesar da polêmica criada em torno de sua escolha como rainha da bateria. "Sou como toda mulher brasileira. Tenho estrias, tenho celulite, sou mulata, filha de branco com preto, e meu nome é Preta. Quero é ser feliz." A Mangueira concluiu o desfile sob os gritos de "É Campeã". A escola teve como ponto forte as alas coreografadas, a animação dos seus integrantes e o brilho da rainha de sua bateria, que mostrou ter samba no pé e bastante carisma. Preta foi saudada pelo público desde a concentração até a dispersão e mostrou que não é preciso ter um corpo escultural para reinar na Sapucaí.

Agencia Estado,

19 Fevereiro 2007 | 01h52

Mais conteúdo sobre:
carnaval carnaval 2007

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.