Com risco de chuva, 17 estradas seguem bloqueadas

Rocha com 2 mil t segue na BR-101, que teve pista liberada para caminhões

Hermínio Nunes e Lilian Simioni, AGÊNCIA RBS, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

Dezessete estradas federais e estaduais de Santa Catarina permanecem bloqueadas, por causa de barreiras ou deslizamentos de terra. Na tarde de ontem, chegou a ser cogitada a liberação de meia pista da BR-101, no km 235, em Palhoça, mas novas chuvas adiaram os planos. À noite, por volta das 20h30, foi liberada a pista apenas para caminhões. Desde o sábado, a queda de uma rocha impede a circulação no trecho e cerca de 750 caminhões estão parados nas duas pontas da estrada. A BR-101 atravessa o litoral catarinense e leva ao Rio Grande do Sul.Se o clima ajudar, os engenheiros do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) esperam eliminar a rocha de 2 mil toneladas, na região de Palhoça, até domingo. Enquanto isso não ocorre, a pedra gigante se transformou em atração para moradores e viajantes. Com a dimensão de um sobrado de dois andares e peso equivalente ao de 2 mil carros populares, o bloco começou a ser perfurado para a colocação de cargas de dinamite. Para ajudar os caminhoneiros parados, a Defesa Civil de Palhoça distribuiu, anteontem, 150 cestas básicas e água potável, doados pelo Hospital Universitário de Florianópolis. Só a BR-270 reúne dez pontos de interdição, passando por Navegantes, Gaspar, Blumenau e Rodeio. Há o bloqueio total de tráfego na altura do km 41 da via, em Gaspar, por conta do desmoronamento da pista. Na BR-282, barreiras cederam no km 31 e no km 79, em Águas Mornas e Rancho Queimado, respectivamente. Entre as 14 estaduais afetadas, a SC-470 apresenta a situação mais complicada e continua sem condições de receber caminhões em toda a extensão, entre Itajaí e Blumenau. Na tarde de ontem, a SC-415 foi liberada na altura do km 15,5, na divisa entre Garuva, em Santa Catarina, e Guaratuba, no Paraná. À tarde, a remoção do entulho na SC-474 também permitiu a desinterdição do km 53, no trecho entre Massaranduba e Blumenau. FLORIANÓPOLISO acesso ao norte de Florianópolis, que já era crítico depois do deslizamento na pista da SC-401, no domingo, ficou ainda mais complicado ontem. Em um dos desvios utilizados, o Caminho dos Açores, uma rede de água rompeu e exigiu que, do fim da manhã até o fim da tarde, o tráfego só acontecesse do centro para o norte da Ilha. Para o caminho inverso, a rota indicada era o Rio Vermelho.E por pelo menos mais 20 dias o problema do trânsito deve continuar. Essa é a previsão mínima para a liberação total da pista. Segundo o superintendente do Departamento Estadual de Infra-Estrutura (Deinfra), Cleo Quaresma, o tempo também será importante para o monitoramento e a avaliação do morro do qual o material caiu. A medida é importante porque há, no topo do local, indícios de risco de novos deslizamentos. "A preocupação não está só em limpar a pista. Precisamos tomar medidas de prevenção e garantir a segurança de quem trafega aqui."Segundo Quaresma, os estudos vão avaliar se será necessário modificar o traçado da pista, levando a via alguns metros mais distante do morro. Ontem, um engenheiro e outros três trabalhadores subiram até o topo do morro para a análise da quantidade de água no local e a estabilidade do solo.O engenheiro estima que pelo menos 15 mil metros cúbicos de solo e outros 5 a 6 mil metros cúbicos de rocha ainda estejam sobre a pista e estão sendo detonadas. "Em alguns casos, interrompemos totalmente a passagem pelas estradas próximas quando há detonações, para garantir a segurança."Aproximadamente 60 pessoas trabalham em dois turnos, 24 horas, utilizando caminhões, retroescavadeiras e um equipamento para quebrar os pedaços maiores de rochas. Somente na quarta-feira foram retirados mil metros cúbicos de rocha.

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