Maria Eduarda Chagas/Estadão
Maria Eduarda Chagas/Estadão

Com shows gospel e curso de pastores, evento evangélico leva 14 mil ao Ibirapuera

Público é formado principalmente por jovens

Maria Eduarda Chagas, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 18h14

Maicon Stefano, de 15 anos, passou os últimos dias vendendo trufas em sua cidade, São José dos Campos, no interior de São Paulo. Há um ano frequentando os cultos da Igreja Sara Nossa Terra, seu objetivo era conseguir dinheiro para participar do encontro evangélico Celebração de Inverno, que começou na quinta, dia 16, e promete reunir 14 mil pessoas no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, até sábado, 18. Além de pregações religiosas, o evento conta com shows de música gospel e cursos de ordenação de pastores. A entrada para o encontro custa R$ 60. Ao lado do amigo Jonathan Martins, de 16 anos, Stefano conta que, apesar de não ter uma família religiosa, chegou à igreja por influência de amigos: “A Sara Nossa Terra tem alegria”, justifica a escolha pela vertente evangélica, que soma 1,3 milhão de seguidores pelo mundo.

Com 1080 igrejas no Brasil e em mais 11 países do mundo, incluindo Estados Unidos, França, Argentina e Guiné Bissau, a instituição tem ainda o canal Rede Gênesis de Televisão, a editora SBE - Edições e Publicações, a Rádio Sara Brasil FM e uma gravadora de música gospel, a Sara Music.

Fundada em 1992, a Sara Nossa Terra se diz uma igreja voltada para os jovens e, semanalmente, tem cultos focados neste público, em um programa chamado Arena Jovem. O caráter um pouco mais liberal da instituição já atraiu personalidades como Baby do Brasil e Rodolfo Abrantes, ex-vocalista da banda Raimundos, que hoje frequentam outras igrejas evangélicas.

Na plateia do evento, há principalmente jovens que acompanham as músicas gospel, seja em ritmo de rock ou em ritmo de quadrilha. Na hora do culto dos pastores, o público se senta e, comportado, segue as instruções da oração. Entre os jovens não há bebida alcoólica ou drogas. Tatuagens e piercings são percebidos, mas em poucos participantes. O encontro em São Paulo é o segundo que acontece no ano. Brasília já teve sua edição do encontro e, no dia 21, é a vez de Natal.

Como Stefano e Martins, os jovens recorrem à igreja, muitas vezes, influenciados pelos amigos. Este também foi o caso de Ana Clara Civita, de 19 anos, vendedora. A jovem era católica, mas se converteu no ano passado. "Estava passando por um momento difícil, uma amiga me chamou e isso me ajudou a superar", conta. Quando um jovem conquista novos seguidores, ele se torna líder, depois de um período de estudos. "Se eu estiver triste, o líder me conforta com alguma palavra de Deus", afirma Martins.

Raquel Janke, 19 anos, é uma líder em sua igreja e veio especialmente do município de Toledo, no Paraná, para o encontro. A jovem se orgulha de ter idealizado uma ação de divulgação da crença com a hashtag #MostreSuaLuz. Raquel chegou à Sara Nossa Terra após ser abordada por fiéis na rua e sonha em estudar psicologia e virar pastora. "Venho de uma família desestruturada. Por isso que eu amo a Sara Nossa Terra, ela me ensina a construir uma família de verdade", diz convicta.

Durante o evento, pastores pedem dinheiro aos fiéis, que pode ser recolhido até mesmo por cartão de crédito. Alguns jovens carregam sacos vermelhos para arrecadar a oferta. Gabriela Centrone, de 15 anos, era uma das adolescentes responsável por uma das máquinas de cartão. Frequentadora da filial do Brooklin, na zona sul de São Paulo, ela pagou para participar do encontro e ficou com a tarefa porque era uma das responsabilidades de sua igreja. Por influência da mãe, Gabriela é fiel da Sara Nossa Terra há 8 anos. "Meus melhores amigos são da igreja, minha família. Se eu não estivesse aqui, sentiria muita falta", afirma.


Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.