Comércio fechado na Vila Cruzeiro
Comércio fechado na Vila Cruzeiro

Com toque de recolher do tráfico, comércio e escolas fecham no Alemão

Inicialmente, polícia atribuía o luto à morte do traficante Orelha, mas apura se motivo seria a suposta morte de Pezão, ex-chefe do tráfico local, no Paraguai

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2013 | 10h23

RIO - A polícia do Rio está tentando confirmar um boato que está circulando desde o início da manhã desta quinta-feira, 23,  nas favelas dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, de que o traficante Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, teria morrido no Paraguai. Pezão era o chefe das bocas de fumo do Alemão quando o conjunto de favelas foi ocupado pelas forças de segurança, em novembro de 2010, após uma onda de ataques orquestrada por traficantes que deixou mais de 50 mortos e levou pânico à população. Para o comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, coronel PM Paulo Henrique de Moraes, a possível morte de Pezão seria o verdadeiro motivo pelo luto imposto pelo tráfico nos complexos do Alemão e da Penha, que levou ao fechamento do comércio e de escolas nas comunidades nesta quinta-feira. Inicialmente, as autoridades acreditavam que o luto teria sido causado pela morte do traficante Anderson Simplício de Mendonça, conhecido como Orelha, de 29 anos, durante uma troca de tiros com PMs no Alemão na noite de quarta-feira, 22.

Segundo a polícia, Anderson era "gerente" de uma boca de fumo na Favela da Grota. Para o coordenador das UPPs, a morte de um traficante de segundo escalão não causaria essa forte reação dos criminosos. Ele morreu em confronto com policiais militares do Regime Adicional de Serviço (RAS). Segundo a polícia, com o traficante foram apreendidas uma pistola e dois carregadores. Os PMs do RAS patrulhavam a localidade conhecida como Cufa quando se depararam com um grupo de traficantes armados. Houve troca de tiros e os bandidos fugiram. Anderson foi baleado em outro confronto, no Areal. Levado por policiais à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Alemão, não resistiu. Os outros criminosos conseguiram escapar. No RAS, policiais que estão de folga em seus batalhões dão plantão em outras unidades da PM, com o objetivo de aumentar seus salários.

CV. Considerado o quartel-general do Comando Vermelho, o Complexo do Alemão foi ocupado pelas forças de segurança em novembro de 2010, após uma onda de ataques. Apesar do enorme cerco policial na ocasião, que pela primeira vez contou com o auxílio de blindados da Marinha, Pezão conseguiu escapar. Além dele, também escapou da ocupação o comparsa Fabiano Atanázio da Silva, o FB, que chefiava a venda de drogas no vizinho Complexo da Penha. FB acabou preso em janeiro do ano passado, numa casa de luxo em Campos do Jordão, no interior de São Paulo.

As comunidades da Penha e do Alemão eram consideradas o quartel-general do Comando Vermelho, principal facção de traficantes do Rio. Elas ficaram um ano e meio ocupadas por tropas da Força de Pacificação do Exército. Os militares deixaram os conjuntos de favelas em meados do ano passado, quando foram substituídos por policiais militares das oito Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) inauguradas pela Secretaria de Segurança.

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