Com versões de baixa qualidade, Brasil já é o 2º maior consumidor da droga

Ciudad Oculta, Argentina - Um bairro miserável de Buenos Aires, com 15 mil moradores, vive uma onda de morte e violência resultante da disseminação do "paco", um resíduo de cocaína altamente tóxico. A situação de Ciudad Oculta ilustra um fenômeno que atinge a Argentina e também o Brasil: em poucos anos, nesta década, os dois países tornaram-se grandes consumidores de cocaína. O Brasil é hoje o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, depois dos Estados Unidos, de acordo com o Departamento de Estado americano. O consumo é alimentado por fronteiras porosas, dificuldades econômicas e, mais recentemente, pela suspensão das restrições ao cultivo da coca na Bolívia pelo governo Evo Morales, em 2006. O resultado é a disseminação da cocaína na América do Sul, que virou o destino principal de uma droga mais barata e de qualidade inferior. Em São Paulo, as polícias dizem que a cocaína nas ruas é menos de 30% pura. A cada ano estão produzindo mais e abaixando preços. Segundo os policiais, os traficantes estão cortando o pó da cocaína e misturando ácido bórico e lidocaína, o que provoca efeitos de saúde severos, como infecções e distúrbios sanguíneos.E os desafios para o combate ao consumo são imensos. Menos de 200 policiais federais, por exemplo, patrulham a fronteira de 3.400 quilômetros do Brasil com a Bolívia, embora o governo brasileiro afirme que reforços estão a caminho. Enquanto isso, apenas 10% do espaço aéreo argentino é coberto por radar.PACOO paco, no caso argentino, é altamente viciante porque seu efeito dura poucos minutos e é tão intenso que muitos fumam de 20 a 50 cigarros da droga por dia, tentando manter a sensação. É ainda mais tóxico que o crack, pois é feito principalmente de solventes e querosene, com uma pitada de cocaína, segundo explicaram as autoridades. A disseminação de cocaína de baixa qualidade ainda resulta de uma campanha feita na Argentina e no Brasil contra os elementos químicos necessários para transformar pasta em pó.

Alexei Barrionuevo, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2008 | 00h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.