Com visita de Marta Suplicy, Paraná lança trem de luxo

O foco principal do projeto turístico é conquistar o gosto e o bolso do visitante estrangeiro

Evandro Fadel, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2008 | 17h24

O charme de uma viagem de trem com conforto, luxo e belas paisagens não será mais exclusividade européia. A partir de 23 de abril, passa a circular comercialmente, no Paraná, o Great Brazil Express, num trecho de cerca de 500 quilômetros entre Ponta Grossa e Cascavel, no oeste do Estado. Ele será a estrela de pacotes turísticos que incluem o Rio de Janeiro e cidades paranaenses.  A ministra do Turismo, Marta Suplicy, passeou entre Morretes, no litoral do Estado, e Curitiba. "Até pouco tempo não podíamos nem pretender um turismo de luxo, não tínhamos recursos, infra-estrutura, mas agora temos", ressaltou. "Temos que dar um jeito de prender o turista mais tempo e que ele gaste mais no Brasil." O trem será colocado nos trilhos com capital da empresa brasileira Serra Verde Express, que opera o trem turístico entre Curitiba e Paranaguá, da operadora belga de turismo de luxo Transnico International Group, e do investidor sueco Thomas Glenndahl. Juntos investiram cerca de R$ 2,5 milhões. A decoração, na qual foram gastos cerca de R$ 700 mil, evoca o Brasil colônia, com madeiras nobres, sofás adquiridos em antiquários e reproduções de quadros de Debret e Rugendas. As poltronas têm revestimento em couro e forro de penas de ganso; as cortinas são em seda. No teto, imagens da flora e da fauna brasileiras. Gravuras de pássaros brasileiros ilustram as divisórias dos ambientes. O turista não precisará nem mesmo olhar para fora para conhecer a paisagem, que será formada basicamente pelo verde dos campos e das matas. Ao lado do bar, uma tela de plasma mostra ao vivo as imagens que ficam para trás. Comissários poliglotas servirão vinho, uísque e champanhe. Os guias serão selecionados de acordo com as nacionalidades dos grupos que estiverem realizando o passeio.  O privilégio, no entanto, não será para qualquer um. O foco principal é o turista estrangeiro. "Mas estaremos abertos aos brasileiros", disse Adonai Aires de Arruda, que detém 50% do negócio. Dois pacotes foram preparados, com valores entre R$ 6 mil e R$ 9 mil. Em razão do padrão internacional que se deu ao empreendimento, ambos incluem visita de dois dias pelo Rio de Janeiro e abrangem viagens de avião, ônibus e trem, além das hospedagens e alimentação. No início devem ser feitas duas viagens ao mês, mas, a partir de agosto, espera-se que haja quatro grupos mensais.  A novidade agradou antes mesmo de entrar nos trilhos. Os pacotes de agosto estão completos, assim como os de dezembro e janeiro; em setembro estão reservados 50% e, entre outubro e novembro, 70%. O trem tem dois vagões com capacidade total para 44 passageiros, trafegando a uma velocidade máxima de 50 quilômetros por hora. No trecho entre Cascavel e Guarapuava utilizará os trilhos administrados pela Ferroeste e, entre Guarapuava e Ponta Grossa, circula sobre os da América Latina Logística (ALL). Nos dois roteiros previstos, os passeios com o trem tomarão dois dias. O mais extenso prevê chegada ao Rio de Janeiro e deslocamento para Foz do Iguaçu no mesmo dia. Lá, os passeios tradicionais às Cataratas do Iguaçu e à Usina Hidrelétrica Itaipu. No terceiro dia, um ônibus conduzirá os turistas a Cascavel, onde a estrela do pacote entra em cena. O trem deve sair da cidade às 14h30, chegando às 20 horas em Guarapuava. No dia seguinte, segue a Irati, para o almoço, e, de lá, para Ponta Grossa. No quinto dia, uma esticada em um ramal até Castro, uma das cidades históricas do Paraná. Era um dos locais de pernoite dos tropeiros que seguiam de Viamão (RS) a Sorocaba (SP), no século 18. O programa prevê viagem de ônibus a Tibagi, para, no dia seguinte, conhecer o Parque Estadual do Guartelá. Destaque para o canyon do Rio Iapó, o sexto maior do mundo, com cerca de 32 quilômetros. Ainda de ônibus, os turistas visitam o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, que possui formações rochosas milenares. De lá, seguem para Curitiba. O sétimo dia da viagem reserva uma descida ao litoral paranaense, desta vez a bordo da litorina, um trem menos sofisticado. Mas cortar a Serra do Mar, observar a Mata Atlântica e conhecer a história são os luxos. Haverá tempo também para um passeio de barco pela Baía de Antonina, incluído no preço. O jantar é em Curitiba, que os turistas conhecem em um tour na manhã do outro dia, antes de voltar ao Rio de Janeiro, onde passam os dois últimos dias do pacote.  No pacote com apenas oito dias, a ordem dos passeios inverte-se e os turistas passam os dois primeiros dias no Rio de Janeiro. Depois descem ao litoral paranaense e dirigem-se ao interior do Estado, conhecendo também a Vila Velha e os municípios de Tibagi e Castro. No quinto dia, os visitantes entram no Great Brazil Express, em Castro. A viagem, com as paradas previstas, consome os dois dias seguintes, reservando-se apenas o último para as atrações de Foz do Iguaçu.

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