Coma menos, mexa-se e um pouco de sorte!

Se você tem cerca de 25 anos e acha que anda muito difícil perder peso, saiba que não está sozinho! Nova pesquisa sugere que mesmo que você faça a mesma atividade física que seus pais faziam na sua idade e coma exatamente a mesma quantidade de calorias que eles ingeriam, o mundo parece ter se tornado mais duro para quem quer se manter em forma.

Jairo Bouer*, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2015 | 03h00

Trabalho realizado pela Universidade de York, em Toronto (Canadá), publicado no periódico Obesity Research & Clinical Practice, que analisou dados de 36 mil americanos de 1971 a 2008, revelou que para uma mesma ingestão calórica, os jovens estão hoje com peso 10% superior ao das gerações anteriores. Já para um mesmo nível de atividade física, o peso é 5% mais elevado. Os resultados foram revelados pelo jornal inglês Daily Mail.

Para os pesquisadores, além de alimentação e sedentarismo, outras questões podem estar envolvidas na maior dificuldade para perder peso. Dessa forma, só se mexer mais e comer menos, apesar de elementos fundamentais, podem não fechar a equação para evitar obesidade e sobrepeso. Infelizmente, parece que não basta que o balanço energético seja equilibrado (que se gaste o que se coma).

Fatores como poluição, maior nível de estresse no dia a dia, maior exposição à luz à noite, menos horas de sono, uso de medicamentos, influência genética, bactérias que colonizam nosso intestino e até a rapidez com que as pessoas comem podem levar a uma batalha mais árdua contra a balança.

Ameaça para a Europa. Por falar em obesidade, levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelado na última semana pela AFP, mostra que ela é um dos fatores que podem dificultar a meta de se reduzir ainda mais a mortalidade precoce na Europa. Junto com o consumo elevado de álcool e tabaco, o excesso de peso está afetando seriamente a saúde da população, apesar de os europeus estarem vivendo hoje mais do que nunca.

Segundo os dados da OMS, o número de mortes prematuras por doenças não transmissíveis (como problemas cardíacos, diabetes e câncer) estão diminuindo rapidamente no continente. Mas peso, álcool e cigarro podem dificultar mais avanços.

Hoje, de 20% a 30% dos habitantes da Europa ainda fumam (a taxa varia entre os 39 países pesquisados) e quase 60% deles têm sobrepeso ou obesidade. São também 11 litros de álcool consumidos por pessoa a cada ano. Os europeus bebem e fumam mais do que em qualquer outra parte do mundo.

As autoridades em saúde pretendem reduzir as taxas de mortalidade precoce por doenças não transmissíveis em 1,5% até 2020. Mas sem alterar os fatores de risco no estilo de vida, esse objetivo pode não ser alcançado.

Embora altas, as taxas de consumo de álcool e de tabagismo estão em ritmo de queda na maior parte dos países europeus. Já a obesidade e o sobrepeso seguem na contramão e só têm aumentando nos últimos anos. Os especialistas enfatizam que uma situação não vai conseguir compensar a outra.

Como vimos no primeiro trabalho citado, a tendência é que essa luta seja ainda mais difícil para as gerações mais novas. Além de aumentar o nível de atividade física para um ritmo superior ao das gerações anteriores e consumir menos calorias que décadas atrás (dois objetivos por si só difíceis), seria fundamental trabalhar os demais fatores que podem dificultar a batalha dos mais novos contra o ganho de peso. 

Como o Brasil segue uma tendência semelhante à dos países mais desenvolvidos, a luta por aqui contra obesidade e sobrepeso deve se intensificar nas próximas décadas.

*É psiquiatra

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