Comandante da Guarda municipal de Amparo é exonerado

O prefeito de Amparo César José Bonjuani Pagan (PT) exonerou na quinta-feira, 19, o comandante da Guarda Municipal, Gustavo Pontes Armellini, após um integrante da corporação obrigar pelo menos cem crianças, com idades entre 11 e 14 anos e alunas do Sesi, a ficar de joelhos em pedriscos enquanto aguardavam uma apresentação de teatro, na última segunda, 16.Segundo informou o secretário de Governo e Cidadania de Amparo, Cássio Pacetta, embora a administração não culpe nem relacione o comandante da GM ao fato, o prefeito optou pela reestruturação do quadro da corporação. A exoneração foi publicada no jornal semanal da administração, nesta sexta-feira. O ex-comandante da Guarda foi procurado, mas não retornou às ligações do Estado para falar sobre o caso.A Guarda Municipal afastou temporariamente o funcionário denunciado, identificado apenas como Pavan por testemunhas. A prefeitura instaurou processo administrativo e uma comissão de sindicância da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos vai apurar o caso. Segundo informou Pacetta, o guarda será ouvido na próxima semana.O servidor público trabalhava para a corporação há 12 anos e tinha um registro de punição em sua ficha, por desobediência.JustiçaOs pais de alunos do Sesi de Amparo formarão uma comissão e entrarão na Justiça contra a Prefeitura de Amparo, por danos morais.O coordenador cultural do teatro da Fundação São Pedro, Rafael Piffer, filmou com uma câmera digital 40 segundos dos cerca de cinco minutos que as crianças ficaram ajoelhadas. As imagens estão em poder da Polícia Civil de Amparo, que investiga a denúncia de abuso de autoridade. O vídeo não foi divulgado até esta sexta-feira.O funcionário público Serafim Domingos Faria Andrade, pai de uma menina de 13 anos que estava no grupo de estudantes, viu as imagens e ficou indignado. "Aquilo, na minha opinião, foi um ato de tortura", afirmou. Piffer, da Fundação São Pedro, disse ter avisado as crianças que a atitude estava sendo filmada. "Eu falei para as crianças que tudo estava sendo registrado e o guarda ainda disse que ele era autoridade e eu não podia fazer aquilo. Foi humilhante", afirmou Piffer.A filha de Andrade, como outras crianças, ficou com os joelhos marcados. Pelo menos duas crianças passaram por exame de corpo de delito. O departamento jurídico do Sesi estuda o caso para saber quais medidas legais serão adotadas.

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