Comandante de Cindacta diz à CPI que espaço aéreo é seguro

Comandante diz a deputados que controladores trabalham com `excesso de zelo´ após o acidente com o Boeing da Gol; CPI do Senado adia votação de relatório

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h29

Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados, o coronel-aviador José Alves Candez Neto, comandante do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta-3), de Recife, afirmou que o espaço aéreo brasileiro é seguro e controlado tecnicamente e operacionalmente por pessoas que honram seu trabalho. "Nesse momento, toda a Força Aérea está empenhada em garantir que o sistema funcione de forma segura", completou o comandante do Cindacta-4, de Manaus, tenente-coronel Eduardo Antonio Carcavallo Filho. Para o comandante do Cindacta 3, o período posterior ao acidente entre o Boeing da Gol e um jato Legacy - que matou 154 pessoas em 29 de setembro de 2006 - é marcado por um " excesso de zelo" dos controladores de vôos. Segundo Candez Neto, o número dos chamados "relatórios de perigo" feitos por controladores de vôo na área do Cindacta 3 (Recife) saltaram de 72 ocorrências em 2005 para 152 em 2006 (a maioria após o acidente). Em 2007, até junho, já são 133 ocorrências. O comandante do Cindacta 4, coronel-aviador Eduardo Antonio Carcavallo Filho, completou o raciocínio do colega afirmando que os relatórios de perigo são importantíssimos, mas que é fundamental que sejam usados especificamente para seu fim. "Não podem conter emoções, nem citar nomes. Alguns controladores usaram os relatórios para atacar seus chefes", afirmou. Atrasos Sobre os atrasos em vôos do último final de semana, os comandantes disseram que problemas meteorológicos na região Sul causaram um "efeito cascata" nas áreas em que eles comandam. Os comandantes dos Cindactas elogiaram os recursos tecnológicos disponíveis para o controle aéreo. "Falhas acontecem, como em qualquer sistema tecnológico" admitiu Carcavallo Filho. Segundo os comandantes, a principal dificuldade do sistema hoje é a falta de pessoal. Depoimentos cancelados Nesta terça, a CPI deve ouvir apenas os dois comandantes, já que os depoimentos dos comandantes dos Cindacta 1 e 2 foram adiados. Segundo o presidente da CPI, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, pediu o adiamento para que os quatro Cindactas não ficassem sem comandantes. No Senado, a CPI do Apagão Aéreo cancelou a sessão marcada para esta terça-feira, 3. Na reunião, estava prevista a votação de um parecer preliminar do relator, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). A CPI não informou oficialmente a razão do cancelamento, mas, segundo nota divulgada pela Agência Senado, o presidente da comissão de inquérito, senador Tião Viana (PT-AC), não poderia presidir a sessão por estar em reunião da Mesa Diretora do Senado. A reunião de quarta-feira, 4, da CPI, foi mantida e a previsão era de que Sílvia Pfeiffer, funcionária da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), continuasse seu depoimento. Ela denunciou irregularidades na Infraero. Em junho, a empresária passou mal quando prestava depoimento à CPI. (Com informações das agências Câmara e Senado.)

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