Comandante diz que traineira fez manobra brusca no Rio

O comandante do cargueiro Roko, o russo Vladimirs Gruserviskis, disse nesta segunda-feira, 23, à Polícia Federal que viu o momento em que a traineira fez uma guinada brusca em direção ao navio, provocando o acidente que deixou oito mortos na Baía de Guanabara, na semana passada. Os trabalhos para o içamento do barco foram interrompidos no fim da tarde por causa dos fortes ventos e mar agitado."O comandante disse que o pesqueiro vinha no sentido contrário e, quando estava a cerca de 70 metros do navio, virou bruscamente. Ele disse ainda que retrocedeu as máquinas, mas não conseguiu evitar o acidente", contou o delegado federal Carlos Pereira, que preside o inquérito criminal.O delegado ouviu Gruserviskis informalmente durante visita ao Roko, na tarde desta segunda. O comandante russo contou a Pereira que "sentiu e viu o abalroamento". "Ainda será esclarecido se ele tentou atuar no resgate das vítimas", afirmou. Segundo o delegado, será levada em consideração denúncia do sindicato dos mergulhadores de que os empregados da Tecsub, empresa contratada para atuar nas obras do emissário submarino da Barra, tinham jornada de trabalho excessiva."Se as condições de trabalho ou de navegação do barco contribuíram de alguma forma para o acidente, isso será levado em conta na conclusão do inquérito", afirmou. Gruserviskis, o imediato do navio e outros dois tripulantes prestam depoimento formal à Polícia Federal na tarde de terça, 24.IçamentoDepois de 11 horas de trabalho, a Marinha suspendeu as operações de içamento da traineira por causa das condições desfavoráveis de mar e vento. O pesqueiro precisa ser retirado da baía porque está em local de passagem de navios e pode provocar acidentes no futuro.Uma balsa com um guindaste foi levada para o local do acidente, há um quilômetro de Niterói e a dois do Rio de Janeiro. Vinte e cinco mergulhadores da Marinha e da SK Tecnologia Subaquática prenderam os cabos no barco, que chegou a ser retirado do fundo do mar no fim da manhã. Mas assim que uma das laterais alcançou a superfície, os cabos se romperam e a embarcação voltou a afundar.Os mergulhadores voltaram a prender os cabos, mas de nada adiantou. Os trabalhos tiveram de ser interrompidos por causa do vento fortes e mar agitado. O içamento da embarcação será pago pelo consórcio Barra Nova, responsável pelas obras do emissário submarino. A traineira estava a serviço do consórcio. Depois de retirado do mar, o barco será levado para um estaleiro e periciado. Após as investigações sobre o acidente, poderá ser recuperado para voltar a navegar.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2006 | 20h25

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