Comandante reconhece erro na reinclusão de PMs no Rio

O comandante da Polícia Militar, coronel Renato Hottz, entregou hoje, à Secretaria de Segurança Pública, relatório sobre a reinclusão à corporação de 65 PMs acusados de crimes, no qual admite ter havido erro nos processos de 22 deles. Segundo Hottz, dentro de um mês, estes policiais serão novamente avaliados por um conselho de disciplina.O relatório foi requerido pelo secretário de Segurança Pública, Anthony Garotinho, que está de férias, e foi encaminhado aosubsecretário, Marcelo Itagiba. No texto, o comandante da PM informa que erros administrativos fizeram com que os 22 policiais não tenham sido ainda submetidos a um novo conselho, como deve acontecer quando os acusados entram com recurso pedindo a reintegração. O conselho é formado por três oficiais, escolhidos pelo secretário.?Não houve má-fé de ninguém. Houve apenas uma demora na reedição do conselho?, disse Hottz hoje de manhã, em entrevistaà rádio CBN. Nos 22 casos, todos ocorridos em 2003, os PMs foram reincluídos para então serem submetidos à nova avaliação,mas não chegaram a passar por ela, embora o procedimento tenha de ser adotado imediatamente. O coronel lembrou que o ano passado foi conturbado para a polícia, que teve de conter uma onda de atentados do crimeorganizado. Disse também que foram feitas mudanças na corregedoria. Os dois fatores contribuíram para o erro, de acordo com ele. ?A gente acabou se perdendo no tempo.? Entre os 22 processos que serão reexaminados pela assessoria jurídica dasecretaria, estão os do sargento Osmar Coelho Silva Júnior, dos cabos Sandro Mendonça de Oliveira e Benisio Pereira da Silva edo soldado Enaldo Elber Clemente Cabral, que foram filmados agredindo moradores da Favela Parada de Lucas, em 1996. Hottz explicou que considera este caso gravíssimo, mas que a reintegração deles foi legal. Ele disse que, apesar decondenados pela Justiça a um ano e oito meses de prisão, os PMs foram absolvidos pelo conselho de disciplina em 1996, mas,em 1997, o então comandante da PM decidiu, por conta própria, expulsá-los. Os policiais recorreram e então puderam retornar.?Não podemos trabalhar com o clamor nem com a moral. Vale é o que é legal.? Hottz lembrou que, no ano passado, 115 policiaisexpulsos tentaram voltar à corporação, mas tiveram seus pedidos indeferidos.

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