Comandantes recusam pouso em Congonhas e 36% dos vôos atrasam

Para Serviço de Proteção ao Vôo, pilotos seguiram regra que proíbe pouso comercial com baixa visibilidade

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

O nevoeiro em São Paulo e as restrições de pousos no Aeroporto de Congonhas na manhã de ontem - a pista principal está interditada desde o acidente com o Airbus da TAM na terça-feira - provocaram um efeito cascata em todo o País. Segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), 17 comandantes se recusaram a pousar em Congonhas com a neblina e tiveram de ser desviados. Às 18h30, das 1.516 partidas programadas em todo o País, 559 (36,8%) tiveram atrasos de mais de uma hora e 198 (13%) foram canceladas. No entanto, o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo (SRPV-SP) informou que, na verdade, o teto de visibilidade, entre 6 horas e 9h28, era inferior a 500 pés. Por regra de segurança, abaixo desse teto não é permitido que as aeronaves da aviação comercial pousem, mesmo com os aparelhos de auxílio a aterrissagem funcionando. Caso quisessem arriscar, cada avião teria de estar homologado para descer com o equipamento e o comandante também teria de ter o treinamento para isso. Neste caso, apenas as aeronaves da aviação geral (jato executivo e táxi aéreo) poderiam tentar pousos. A regra afirma também que a pista auxiliar exige mais cautela, pois é 505 metros menor do que a principal, que está interditada. Dos 17 vôos desviados, 10 foram para o Aeroporto Internacional de Guarulhos, 6 foram para Viracopos, em Campinas, e um que vinha do Aeroporto Tom Jobim retornou ao Rio. No saguão, em vez das mensagens de atraso, os painéis do aeroporto pediam para o passageiro procurar a companhia aérea. Entre 6 horas e 9h28 foram feitas apenas decolagens - 44 segundo a Infraero. A partir desse momento até as 9h47, quando a neblina já havia diminuído e houve aproximação para pouso de um avião da TAM vindo de Porto Alegre, o pátio de Congonhas ficou vazio e não houve nenhuma operação. Às 10 horas, o SRPV voltou a operar e recebeu todos os vôos que tinham sido desviados. O acúmulo das transferências da manhã somado aos vôos programados para o horário geraram um grande fluxo de aeronaves na Área de Controle de São Paulo, o que fez o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA) suspender todas decolagens para Congonhas. A medida foi adotada entre 11h30 e 13 horas, para que pudesse haver uma acomodação dos vôos atrasados. O Aeroporto Internacional de Guarulhos também teve de operar por instrumentos das 0h45 às 10h53. Também pelo fato de nem todas as aeronaves terem homologação para pouso por instrumentos, ou mesmo por decisão dos comandantes, 15 vôos foram transferidos para Viracopos e o Aeroporto Tom Jobim, no Rio. Às 18h30, a situação em Guarulhos era melhor que em Congonhas. Segundo a Infraero, das 195 decolagens programadas para sair de Guarulhos, 17,4% tiveram atraso e seis vôos foram cancelados. Já em Congonhas, no mesmo horário, das 210 partidas previstas, 37,1% saíram fora do horário e 82 foram canceladas. Até os deputados Vanderlei Macris (PSDB-SP), autor da CPI do Apagão Aéreo da Câmara; Ivan Valente (PSOL-SP) e Carlos Zarattini(PT-SP) foram afetados pelos atrasos. Eles tiveram de esperar horas em Congonhas para embarcar para Brasília, onde eram esperados para participarem da sessão extraordinária da CPI. Como se já não bastasse o caos da manhã, por volta de 17 horas, a pista auxiliar de Congonhas também foi fechada por 20 minutos. O motivo, segundo a Infraero, é que peritos da Polícia Federal e da Aeronáutica tiveram de inspecionar o pavimento. A pista auxiliar também passou por reformas de fevereiro a maio deste ano. LINHA PARALELA O diretor de segurança do Sindicato Nacional do Aeronautas, o piloto Carlos Camacho, concordou com a versão do SRPV, afirmando que os comandantes realmente não poderiam pousar pela manhã em Congonhas por causa do nevoeiro. Porém, ele declarou que desde o acidente com o Airbus da TAM, os pilotos estão fazendo um controle paralelo. "Eles estão usando uma freqüência determinada para se comunicar sobre as condições da pista de Congonhas. Então, se um pousa e percebe que está escorregaria, ele chama todos os que estão nas proximidades e relata o problema", explicou Camacho. Além disso, o diretor do sindicato disse que os pilotos que perceberem muitos problemas em qualquer uma das pistas de Congonhas vão reportar o caso à Torre de Controle, recomendando o fechamento da via. "Não temos poder para fechar, mas pelo menos vamos alertar", afirmou.

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