Comando da campanha de Dilma tenta conter apetite do PMDB por cargos

Operação incluiu apelo de José Eduardo Dutra para que o partido de Michel Temer se abstenha de tratar da montagem do futuro governo

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2010 | 00h00

O comando de campanha de Dilma Rousseff iniciou uma operação emergencial para conter o apetite dos partidos coligados que, animados com os resultados das pesquisas sobre intenção de votos, já insistem em tratar da partilha do governo e dos principais cargos do primeiro escalão e das estatais, caso a petista vença a eleição.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, também coordenador da campanha da ex-ministra, fez ontem apelo ao presidente do PMDB, Michel Temer (SP), candidato a vice na chapa de Dilma, para que o partido se abstenha de tratar da montagem do futuro governo. No domingo, reportagem publicada pelo Estado mostrou que o PMDB já planeja "partilhar os cargos meio a meio".

Segundo Dutra, Temer garantiu que está lutando para pôr ordem na casa e impedir qualquer ânimo mais exaltado pela busca dos cargos. "Ele (Temer) afirmou que o PMDB não está tratando desse assunto", disse Dutra. "Até leu uma nota em que comunica que o tema nunca foi negociado com o PT e que ninguém no PMDB está autorizado a falar qualquer coisa sobre esse assunto."

Pela manhã, Temer divulgou nota. "O PMDB se expressa pelo seu presidente", esclareceu Temer. "E é nessa qualidade que venho a público registrar que, em nenhum momento na aliança com o PT e demais partidos para as eleições presidenciais, houve qualquer negociação a propósito da participação no governo."

De acordo com Temer, "os únicos compromissos firmados por escrito com o PT foram os de que o PMDB teria a Vice-Presidência da República e participaria da formulação do programa de governo". "É isso, apenas isso, que foi estabelecido e vem sendo rigorosamente cumprido", insistiu.

Temer afirmou que o PMDB já apresentou seu programa para o País, reforçando os compromissos do PT e aliados com a população brasileira. Ele também disse que o PMDB quer colaborar e hoje está inteiramente dedicado à campanha para vencer as eleições. Por fim, o candidato a vice afirmou que toda e qualquer manifestação em outro sentido "é mera especulação e deve ser repudiada por todos peemedebistas".

Conforme apurou o Estado, sob o argumento de que não é mais "convidado", mas "dono da casa", o PMDB quer, além de dividir o poder meio a meio, ter assento entre os ministros da casa e no Conselho Político que assessora a Presidência, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na equipe econômica, e postos de chefia na Petrobrás e na futura Petro-Sal.

Para José Eduardo Dutra, qualquer debate sobre a montagem de um hipotético governo Dilma agora só atrapalha. "Isso provoca a cizânia e a dispersão. Não posso acreditar que alguém está caindo nessa cantilena", afirmou o presidente do PT.

"Temos de lembrar que a eleição será decidida no dia 3 de outubro. Por enquanto, o que existe é intenção de votos e nada mais. Nenhum voto pingou nas urnas." Falar sobre divisão de poder, de acordo com Dutra, é "inconveniente e passa ao público uma imagem de arrogância."

Ele disse ainda que está conversando com os presidentes dos partidos e com pessoas ligadas à campanha para que evitem tratar desse assunto, mas sabe que será difícil impedir que saiam notícias sobre essas ou aquelas pretensões.

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