Comando da campanha tucana acusa PT de fazer ´jogo sujo´

O comando político da campanha do tucano Geraldo Alckmin vai denunciar o que está chamando de "jogo sujo" do petista Luiz Inácio Lula da Silva e, se preciso, recorrer à justiça eleitoral contra as "mentiras" do candidato à reeleição. Paralelamente a essa ofensiva da cúpula nacional, a bancada federal do PSDB se reuniu nesta terça-feira e montou um esquema para enfrentar o PT que insiste no discurso de que Alckmin, se eleito, vai privatizar estatais, demitir funcionários, congelar salários e acabar com o Bolsa-Família.A estratégia do PSDB e do PFL ficou acertada nas sucessivas conversas dos últimos dias para se contrapor ao que definem como a "campanha da mentira" do petista. O desempenho positivo do tucano no debate de domingo, realizado pela TV Bandeirantes, ajudou a mobilizar os deputados e senadores que, agora, se mostram mais empolgados e confiantes na vitória.O senador José Jorge, companheiro de chapa de Alckmin, disse que, se Lula persistir no "terrorismo eleitoral", a oposição entrará com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Não cabe ao candidato Lula dizer o que vamos fazer. Se ele usar a propaganda eleitoral para desinformar o eleitor vamos denunciá-lo. Eles (Lula e o PT) dizem mentiras e fazem esse jogo sujo de forma incompetente", afirmou José Jorge.Mobilização nos EstadosComo os parlamentares estão agora mais liberados para ajudar na campanha, a decisão da bancada do PSDB é reforçar o segundo turno nos Estados, mobilizando prefeitos e eleitores. Nesta terça-feira mesmo deram início à ofensiva no plenário da Câmara e muitos parlamentares estão escalados para se revezarem em discursos tentando colar a imagem de "mentiroso" a Lula e rebatendo discursos dos petistas. Os tucanos vão evitar também que o presidente passe por vítima e explore o preconceito. Outra idéia é fortalecer o discurso ético e cobrar propostas para o crescimento do País."O PT adotou o terrorismo fundamentalista", afirmou o deputado Walter Feldman (PSDB-SP), ao insistir que ninguém de seu partido abre mão da paternidade do programa Bolsa-Família, criado pelo governo de Fernando Henrique. "Está claro que o desespero bateu forte depois do debate na TV Bandeirantes e o PT está indo pelo mesmo método de 2002", disse o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), ao recordar a última campanha presidencial quando a Central Única dos Trabalhadores (CUT) espalhou o boato de que o PSDB iria acabar com o 13º salário e com direitos dos trabalhadores. "Vamos fazer um plantão para responder as mentiras que nossos adversários estão dizendo", observou.Boatos e estratégias diferentesO deputado ressaltou que para cada faixa do eleitorado, Lula e os petistas estão espalhando boatos diferentes. Para os eleitores do Nordeste, a tônica do discurso do petista é de que, se eleito, Alckmin acabará com o Bolsa-Família. A classe média seria atingida com demissões, fim dos concursos públicos e congelamento de salários. Além da privatização de empresas estatais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras. Já os eleitores da região amazônica, estariam sendo bombardeados com o discurso de que o tucano irá acabar com a Zona Franca de Manaus, geradora de empregos. "É um terrorismo eleitoral direcionado para públicos específicos", atestou o líder tucano. O deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), eleito vice-governador de São Paulo, classificou de "filhotes de Goebbels" os petistas que insistem em afirmar que Alckmin vai vender empresas estatais como a Petrobras e o Banco do Brasil, caso seja eleito. "Eles ficam repetindo mentiras", disse Goldman, citando o ministro da propaganda do nazismo, Joseph Goebbels, que pregava que uma mentira repetida mil vezes tornava-se verdade.Em reunião da bancada do PSDB na Câmara, os tucanos acertaram que vão responder à ofensiva dos petistas, rebatendo essas declarações. "Não adianta mostrar que não há nada disso no programa de governo, os filhotes de Goebbels estão aí para ficar repetindo mentiras", disse o tucano. "No programa não tem isso. Não vamos privatizar. Isso não quer dizer que uma empresa aqui e ali não possa ser privatizada", disse Goldman.Segundo ele, isso significa que não existe um dogma de que, pontualmente, algumas empresas não possam ser privatizadas, mas reafirmou: "Não há um programa de privatização. A Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, os Correios e as grandes empresas não serão privatizadas", disse.Goldman lembrou que o ex-presidente FHC teve de assinar um documento afirmando que não venderia a Petrobras durante as discussões no Congresso da flexibilização dos monopólios para conseguir aprovar as emendas constitucionais. O tucano defendeu as privatizações ocorridas durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, como a venda da empresa Vale do Rio Doce que, segundo o deputado, era mal gerenciada quando era estatal. Questionado sobre a Petrobras, Goldman afirmou que a empresa poderia dar mais lucro do que já dá se o gerenciamento fosse outro. "Se não fosse o gerenciamento político, ela daria muito mais lucro", disse.

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