Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

PM do ES diz que agentes devem se apresentar diretamente onde vão atuar

Por essa determinação, policiais não passariam pelos batalhões, que estão bloqueados por familiares; patrulha, no entanto, teria de ser feita a pé

Marcio Dolzan, Enviado especial

07 Fevereiro 2017 | 16h17

VITÓRIA - O novo comandante geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Nylton Rodrigues, determinou nesta terça-feira, 7, que todos os policiais militares do Estado se apresentem diretamente no local onde deverão fazer o policiamento, sem passar pelos batalhões. Desde sábado, quartéis de todo o Estado estão com suas entradas bloqueadas por familiares de PMs que tentam impedir a saída dos policiais. O movimento levou o caos à segurança pública do Espírito Santo.

Segundo Rodrigues - que assumiu o comando da PM na segunda-feira, no lugar do coronel Laércio Oliveira, que estava há menos de um mês no cargo -, a medida deverá devolver o policiamento às ruas. "Foi determinado, por escrito, que em todas as escalas do serviço operacional da Polícia Militar as chamadas sejam feitas fora das unidades, fora dos batalhões. Essas escalas, devidamente comandadas por oficiais, serão feitas no local do policiamento", explicou.

A alternativa, contudo, não resolve totalmente o problema, já que os PMs terão de fazer o patrulhamento a pé. Sobre isso, o comandante geral declarou ser "um primeiro passo". "Todos os problemas muito graves são resolvidos em partes. Temos que dar o primeiro passo. Estou dando, para depois dar o segundo. Nós não temos condições de resolver um sério problema, uma crise desse tamanho, da maneira que nós gostaríamos."

Mesmo com a medida implementada nesta terça-feira, Nylton Rodrigues admitiu que o efetivo de policiais nas ruas ainda é muito baixo. "São 500 policiais (atuando) no Estado do Espírito Santo. Não é o policiamento no Estado todo que vai impactar na visibilidade da Polícia Militar, mas nós estamos avançando. Domingo eram zero (policiais) infelizmente, segunda-feira esse número aumentou um pouco, mas não o necessário. Hoje aumentou mais um pouco, mas também não é o necessário", disse, lembrando que somente na Grande Vitória o policiamento costuma ser feito por 2 mil PMs.

Rodrigues também prometeu punição a quem descumprir a ordem, mas foi evasivo sobre o que será feito na prática. "Nós contornamos o problema na frente dos portões. Está resolvido. Aquele policial que não responder à chamada, como ocorreu sempre na Polícia Militar, responderá a um processo administrativo disciplinar para justificar ou não sua ausência", declarou o comandante.

A previsão é de que até o fim da tarde desta terça todo o efetivo das Forças Armadas (1.000 homens do Exército e da Marinha) e da Força Nacional de Segurança (200 agentes) estejam atuando na Grande Vitória.

"São forças complementares. O Exército brasileiro e a Força Nacional atuarão prioritariamente na região da Grande Vitória, fazendo apenas incursões (pelo interior). Será um patrulhamento, explicou". Ele disse que, apesar de as cidades do interior do Estado não contarem com a presença constante dos soldados, o planejamento vai funcionar. "A presença desses homens na rua funciona como fator inibidor de delito, fator de referência pra sociedade, fator de estímulo para a legalidade." 

O secretário de Segurança do Espírito Santo, André Garcia, acredita que no fim da tarde a capital capixaba já estará patrulhada por tropas do Exército, Marinha e Força Nacional de Segurança. Os primeiros 250 militares começaram a fazer o policiamento na noite de terça-feira, 6. Eles saíram das ruas pela manhã, já que os outros 750 militares prometidos pelo Ministério da Defesa ainda não haviam se apresentado para substituir o primeiro grupo. Isso deve acontecer até o fim da tarde desta terça. O efetivo que havia chegado da Força Nacional de Segurança também era de apenas 80 dos 200 agentes prometidos. Os primeiros agentes da FNS deveriam ir para seus postos de policiamento a partir das 14 horas. 

A Polícia Militar do Espírito Santo liberou os PMs para se apresentarem diretamente aos seus postos de trabalho, em vez de se apresentarem nos quartéis. A ordem é que os praças e oficiais se comuniquem com seus comandantes por aplicativos de celular. A medida foi tomada para evitar o piquete nas portas dos quartéis. 

 

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