Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Comando da PM do PR repudia declarações de secretário de Segurança

Fernando Francischini afirmou que apenas cuidava da 'gestão da pasta' e que 'responsabilidade' por operação era da Polícia Militar

Julio Cesar Lima, Especial para o Estado

06 Maio 2015 | 15h24

CURITIBA - O Comando-Geral da Polícia Militar do Paraná divulgou na tarde desta quarta-feira, 6, uma carta enviada ao governador Beto Richa (PSDB), na noite de terça-feira, 5, em que repudia as declarações do secretário de Segurança, Fernando Francischini (Solidariedade), à imprensa. 

Publicada no site da Associação dos Militares (Amai), a nota ainda divulgou um e-mail para que os associados que concordem com a posição do comandante-geral, Cesar Kogut, enviem mensagens ao governador e demonstrem a indignação da categoria - a saída de Kogut havia sido confirmada por fontes da corporação.

Na ocasião, o secretário chegou a dizer que "apenas cuidava da gestão da pasta e que a responsabilidade das operações de campo era da Polícia Militar", disse, o que irritou profundamente a PM.

"Que o senhor secretário de Segurança Pública foi alertado inúmeras vezes pelo comando da tropa empregada e pelo comandante-geral sobre os possíveis desdobramentos durante a ação e que mesmo sendo utilizadas as técnicas internacionalmente reconhecidas como as indicadas para a situação, pessoas poderiam sofrer ferimentos, como realmente ocorreu, tendo sido vítimas manifestantes e policiais militares empregados na operação..", diz um trecho da carta.

Além disso, o comando fez questão de ressaltar que houve abertura de Inquérito Policial Militar para "apurar os possíveis excessos" cometidos por policiais.

Já no final da carta, os policiais apontam Francischini como participante de todas as ações e comandos da operação. "Não se pode admitir em respeito à tradição da Polícia Militar do Paraná, seus oficiais e praças, que seja atribuída a tão nobre corporação a pecha de irresponsável ou leviana, por não ter sido realizado um planejamento, ou mesmo que tenha sido negligente durante a operação, pois todas as ações foram tomadas seguindo o Plano de Operações elaborado, o qual foi aprovado pelo escalão superior da Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública), tendo inclusive o senhor secretário participado de diversas fases do planejamento, bem como é importante ressaltar que no desenrolar dos fatos o senhor secretário de Segurança Pública era informado dos desdobramentos."

Por causa dos confrontos, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) abriu inquérito para apurar as responsabilidades sobre os conflitos, com detalhamentos de todas as ações e cadeia de comandos.

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