Polícia/Divulgação
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Comando da polícia é trocado após traficante brasileiro matar mulher em prisão no Paraguai

Anúncio foi feito pelo presidente Mario Abdo Benítez no Twitter; narcotraficante estaria tentando evitar extradição

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2018 | 22h58

SÃO PAULO - O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, anunciou neste domingo, 18, a troca do comando da Polícia Nacional após o narcotraficante Marcelo Pinheiro Veiga, mais conhecido como Marcelo Piloto, ter matado uma mulher que o visitava dentro da prisão neste sábado, 17, em Assunção. A decisão foi anunciada depois de uma reunião do Conselho de Segurança convocada por Abdo Benítez.

"Tomamos a decisão de substituir o comandante e o subcomandante da Polícia Nacional", escreveu em sua conta no Twitter. Deixam o cargo Bartolomé Baéz e Luis Cantero, respectivamente. A medida era esperada após o ocorrido nas dependências do grupamento especializado, onde Piloto está preso. Acredita-se que o narcotraficante, integrante da facção criminosa Comando Vermelho (CV), do Rio, teria matado a mulher, identificada como Lidia Meza, de 18 anos, para evitar ser extraditado para o Brasil. Ele usou uma faca de sobremesa para cometer o crime.

A ministra da Mulher, Nilda Romero, também se posicionou no Twitter sobre a morte da jovem. "O ministério repudia o caso de extrema violência ocorrido que levou a jovem vida de uma mulher e clama às demais instituições competentes a tomar todas as medidas a fim de esclarecer o ocorrido, identificar os responsáveis e aplocar as sanções que correspondam."

O crime ocorreu um dia depois de o traficante ter recusado, durante uma audiência preliminar sobre um caso de produção de documentos falsos e de posse ilegal de armas, um procedimento para acelerar sua extradição, causando a suspensão da audiência.

Alguns dias antes, Piloto deu uma entrevista coletiva no grupamento especializado, denunciando o pagamento de propinas a autoridades policiais paraguaias em troca de proteção, o que causou críticas às altas autoridades policiais. A advogada dele, a argentina Laura Marcela Casuso, que organizou a coletiva, foi assassinada a tiros na segunda-feira, 12, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil.

No final de outubro, o Ministério do Interior anunciou ter desarticulado um plano para tentar liberar o narcotraficante após uma operação policial que resultou na morte de três suspeitos de integrar o Comando Vermelho e com a explosão controlada de um veículo carregado com explosivos - este supostamente seria usado na ação para resgatar o preso.

O narcotraficante está preso no Paraguai desde dezembro do ano passado. A Justiça do Rio condenou Piloto a uma pena de 26 anos de prisão. No Paraguai, ele está preso por homicídio e falsificação de documentos, mas foi aberto um processo para sua extradição, atendendo a pedido da Justiça brasileira.

As autoridades paraguaias também divulgaram neste mês um vídeo em que o CV ameaça matar a procuradora-geral do Paraguai, Sandra Quiñonez, em represália à ação dela pela extradição de Marcelo Piloto. Se confirmada a autoria do assassinato, Piloto terá de responder ao inquérito, dificultando a extradição. /COM AGÊNCIAS

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