Comando do PT estuda retaliação contra vice-procuradora eleitoral

O PT estuda possibilidade de entrar com representação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau. Para o partido, ela age com excessivo rigor ao pedir investigações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob acusação de abuso de poder político em favor da candidatura de Dilma Rousseff.

Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, confirmou ao Estado que encomendou um estudo aos advogados da legenda para saber se vale a pena apresentar ou não a representação contra a procuradora, pedindo algum tipo de sanção contra ela.

Independentemente dessa ação, Dutra diz que, na sua avaliação, Sandra Cureau está "extrapolando as suas funções". O dirigente petista afirma que, para fazer essa crítica, baseia-se "no conjunto da obra" da procuradora ? que estaria dando um tratamento mais rigoroso aos aliados da campanha petista do que à campanha da oposição.

"Não tenho dúvidas de que ela está exagerando e extrapolando", diz Dutra. Ele confirmou, em sua página no Twitter, que o partido está recolhendo material para uma eventual ação.

Pressão. Na prática, apresentando ou não a representação, o movimento do PT tem um claro objetivo estratégico: fazer pressão política sobre Sandra Cureau. Especialmente depois de ela ter dito que poderia investigar as declarações feitas por Lula a favor de Dilma ? nas quais ele atribuiu à ex-ministra-chefe da Casa Civil o sucesso do projeto do trem-bala ? para verificar se houve violação da legislação eleitoral da parte do presidente.

Além de ter associado a presidenciável petista àquele projeto, Lula repetiu o procedimento no dia seguinte à sua primeira fala. Dessa vez, alegando que queria pedir desculpas por ter feito algo em desacordo com as normas eleitorais.

"Duas caras". Logo depois da manifestação da promotora alertando sobre a possibilidade da abertura de investigação, Lula e Dilma decidiram aumentar o tom, passando a criticá-la publicamente, embora sem ne nhuma menção direta ao seu nome.

"Na verdade, o que eles querem é me inibir, para fingir que eu não conheço a Dilma. É como se eu pudesse passar perto dela, ter uma procuradora qualquer aí, e eu vou passar de costas viradas e fingir que não a conheço. Mas eu não sou homem de duas caras. Passo perto dela e digo para vocês: é a minha companheira Dilma, que foi chefe da Casa Civil e está preparada para a Presidência da República deste País", disse Lula em referência à procuradora, durante comício na sexta-feira, no Rio de Janeiro.

O passo seguinte ocorreu sábado, em Jales, no interior de São Paulo. Dessa vez foi Dilma quem reclamou, depois de ser perguntada sobre o assunto. "Acho que não se pode na vida ter dois pesos e duas medidas", afirmou. E mesmo dizendo que "não entraria em polêmica" com a procuradora, a candidata aproveitou para capitalizar também, para seu nome, o projeto do trem-bala.

"Tenho certeza de que vocês hão de convir comigo que, no caso do trem de alta velocidade, fui a responsável pela construção do projeto. Então, não é um elogio e sim a constatação da verdade", alegou.

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