Comando militar prevê que as buscas devem seguir até o dia 19

A cada dia fica mais difícil a localização de vítimas; ontem, trabalhos foram prejudicados por condições climáticas

Monica Bernardes, RECIFE, O Estadao de S.Paulo

11 de junho de 2009 | 00h00

O comando militar brasileiro estipulou pela primeira vez um prazo para as buscas das vítimas do voo 447 da Airbus, que caiu no Oceano Atlântico com 228 passageiros. Caso se mantenham as correntes marítimas e condições atuais de busca, os trabalhos devem seguir até o dia 19. Mas os militares ressaltam que, a cada dia, fica mais difícil a localização de corpos: até agora, 41 foram resgatados e as condições climáticas ontem não favoreceram os trabalhos. Vídeo explica o papel do submarino francês Acompanhe as notícias das operações Veja a cronologia dos maiores desastres aéreos De acordo com o brigadeiro Ramon Cardoso, assessor de Comunicação da Aeronáutica, o governo trabalha ainda com esse prazo para fazer o planejamento de combustível, alimentos e demais recursos para a equipe que trabalha nas buscas. Posteriormente, a expectativa é de que os navios e aviões brasileiros deixem o perímetro de buscas. A operação ficará então totalmente a cargo da frota francesa, que deve dedicar-se às buscas da caixa-preta. O mecanismo de sinais do equipamento, que pode facilitar a localização, só deve funcionar até o dia 1º.Ontem, só foi possível a retirada de destroços pelos navios brasileiros. "Ao longo do dia, as condições do tempo ficaram bastante degradadas, o que nos obrigou a modificar as áreas de busca das aeronaves para um outro local que não é a maior prioridade", explicou o militar. Segundo ele, o espaço de Dacar (Senegal), deve passar a concentrar as buscas.O efetivo sob a coordenação brasileira continua o mesmo. Ao todo são 14 aviões (dois franceses) e seis embarcações (uma da França). O navio Desembarque-Doca Rio de Janeiro, cuja tripulação é composta por 363 militares da Marinha, deverá se juntar às operações de busca e resgate a partir do dia 19. Ele tem capacidade para guardar até para 100 corpos. Antes, a embarcação, deslocada do Haiti, passará por Fortaleza, no Ceará, para receber o reforço de um helicóptero H-12 Esquilo e de um H-14 Super Puma. NECROPSIAOs primeiros 16 corpos de vítimas chegaram no início da noite de ontem à cidade do Recife. Mas o desembarque, previsto inicialmente para às 15 horas, só ocorreu após as 21 horas. O trabalho inicial de perícia feito em Fernando de Noronha demorou além do previsto, segundo o comando militar. Esperava-se uma média de duas horas para análise de cada corpo e estão sendo necessárias três horas.Mas no Instituto de Medicina Legal, localizado no bairro de Santo Amaro, região central da cidade, a movimentação em torno da chegada dos corpos era grande desde a manhã e chamou a atenção de quem mora, trabalha ou simplesmente estava passando pelo local. Um forte aparato montado pelas Polícias Civil e Militar impedia o acesso de curiosos e da imprensa à área ao redor do instituto. Mas nem isso foi o suficiente para que homens, mulheres e até crianças subissem em cadeiras, muros e até árvores, na tentativa de flagrar algum movimento no interior do IML. Algumas pessoas portavam câmeras. A expectativa é de que as primeiras informações sobre os corpos (como o sexo das vítimas resgatadas e o estado em que se encontram os cadáveres) comecem a ser divulgadas na tarde de hoje. Como os cadáveres chegaram congelados, os trabalhos foram postergados para a manhã de hoje.O IML pernambucano também tem recebido diversos reforços. Ontem, chegaram sete peritos da Paraíba, sendo três auxiliares de legista, três odontolegistas e um médico legista. Outros dois peritos da Polícia Federal também desembarcaram na capital pernambucana para se somar aos outros cinco que estão desde a semana passada no Estado. Além disso, uma equipe composta por cinco legistas que vieram da França, entre eles um biólogo, um dentista e um especialista em reconstrução de impressões digitais, desembarcou na noite de segunda-feira. O grupo já coletou todo o material genético dos familiares dos 72 franceses que estavam a bordo. A equipe da França, segundo informações repassadas pela Polícia Federal, já teria atuado em identificação de vítimas do tsunami ocorrido na Ásia e diversas outras catástrofes. O papel que os franceses terão nos trabalhos de identificação, no entanto, ainda não ficou claro. Reservadamente, um policial da PF afirma que o grupo vai orientar os peritos locais sobre técnicas modernas para garantir a obtenção do máximo possível de dados sobre os corpos, independentemente de exames de DNA.

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