Comando petista monta 'infantaria' para atrair votos

Formado por médios e pequenos partidos da aliança, grupo será responsável por garantir apoios nas bases

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

Para manter em evidência a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República, o comando de campanha da ex-ministra quer organizar neste mês a rede de busca de votos do eleitor em uma nova fase da disputa eleitoral, iniciada esta semana.

A ideia é montar desde já com os partidos médios e pequenos da aliança a "infantaria", como está sendo chamado entre os coordenadores da campanha da petista o grupo de militantes responsável por garantir os votos nas bases eleitorais.

As conversas começaram nesta semana com o PR e prosseguem hoje com o ato de apoio formal do PC do B à candidatura de Dilma.

Maior cabo eleitoral da petista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai hoje à noite ao ato político do PC do B. Será a primeira vez que ele aparecerá ao lado da pré-candidata do PT depois que ela deixou o governo, há oito dias.

A estratégia é uma forma de compensar com os demais aliados a ausência do PMDB nesse tipo de ação. Petistas ligados a Dilma avaliam que não poderão contar com o PMDB para garantir esse lastro de campanha.

Nos dois maiores colégios eleitorais, São Paulo e Minas Gerais, dificilmente o PMDB fará o trabalho braçal de buscar os votos para Dilma nas bases, avaliam os coordenadores da campanha.

Outros exemplos, de acordo com a mesma avaliação, são Bahia e Santa Catarina, onde o PMDB também não deverá ajudar nessa missão.

Desafio. Responsáveis pela campanha procuram deixar claro nas conversas com os aliados de que não basta a declaração de apoio porque o maior desafio é garantir os militantes nas ruas em ações espontâneas.

"Eles (aliados de Serra) não têm condições de fazer isso. Eles não têm militância, não têm apoio ideológico nem gente que os defenda", afirmou um dos petistas envolvidos na estratégia de campanha de Dilma.

Os petistas avaliam que as alianças - já acertadas com o PMDB, PR, PDT e PC do B - darão a Dilma 45% do tempo do horário gratuito de TV, enquanto Serra terá 30% do total.

De perfil diferente do PMDB, o PC do B é considerado um partido de militância que suará a camisa na tentativa de conseguir votos para a petista. O mesmo é esperado do PDT, que também fechou apoio a Dilma. Com apoio desses dois partidos, o PT ganha o reforço das principais centrais sindicais. A Força Sindical é comandada pelo PDT e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), pelo PC do B - além da Central Única dos Trabalhadores (CUT) sob comando do próprio PT.

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