Fernando Bizerra Jr./EFE
Fernando Bizerra Jr./EFE

Combate a drogas opõe Serra e Dilma

No debate promovido pela CNBB, os dois presidenciáveis responsabilizaram o partido do rival pelo fracasso na política de prevenção

Eugênia Lopes, João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Os candidatos à Presidência Dilma Rousseff, do PT, e José Serra, do PSDB, responsabilizaram os partidos de cada um pelos fracassos do combate às drogas no Brasil, durante debate patrocinado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ontem à noite, em Brasília.

Dilma afirmou que no governo de Fernando Henrique Cardoso a "exclusão, desigualdade e o desemprego" comprometeram a família, o que teria levado as pessoas para o caminho das drogas. Serra respondeu que no governo atual se não fossem as comunidades terapêuticas nada teria sido feito pelos envolvidos com drogas como crack, porque o governo federal não tem programa para isso.

O debate começou com 20 minutos de atraso, por responsabilidade dos candidatos. O primeiro a entrar no auditório foi José Serra. Ficou sozinho por lá durante cinco minutos. Depois, entraram Marina Silva (PV), Dilma Rousseff e Plínio Arruda Sampaio (PSOL).

Aplausos. Entre os candidatos, Marina Silva foi a mais aplaudida ao chegar. Dilma também recebeu aplausos, assim como Plínio. Serra não causou nenhum entusiasmo ao entrar no auditório da Universidade Católica, na cidade-satélite de Taguatinga, onde foi realizado o debate.

Marina Silva disse claramente que é contrária ao aborto, proposta que é defendida por seu partido, o PV. Ela disse ser a favor da realização de um plebiscito sobre o assunto. Dilma Rousseff declarou que é contrária ao aborto e que, se eleita presidente, protegerá as mulheres que usam métodos bárbaros para a contracepção. Nesse sentido, segundo a petista, o aborto é uma questão de saúde pública.

Plínio aproveitou a presença de estudantes para dizer que, se a Universidade Católica discriminar alunos, vai desapropriá-la, caso eleito. Arrancou aplausos da plateia. Afirmou que a universidade é elitista e cobra mensalidades muito altas, ganhando de vez a simpatia de alunos presentes ao evento.

Serra reivindicou a criação do programa bolsa-alimentação que, segundo ele, deu origem ao Bolsa-Família. E disse que ampliou muito o programa saúde da família quando foi ministro da Saúde.

Dilma Rousseff foi de helicóptero até a sede da Universidade Católica, que fica a cerca de 20 quilômetros de seu comitê. Os outros candidatos utilizaram automóveis para fazer o trajeto. De acordo com a assessoria de Dilma, ela sempre utiliza o transporte aéreo para ir a debates.

Na entrada do auditório onde foi realizado o debate, um grupo de cristãos católicos e evangélicos estendeu uma faixa com a inscrição: "Dilma anticristo, nós cristãos não matamos". Segundo as 15 pessoas que comandaram o protesto, Dilma seria a favor do Aborto.

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