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Começa a mudar o perfil da aids em São Paulo

Dados do último boletim sobre aepidemia de aids na cidade de São Paulo revelam que o ritmo dequeda da taxa de mortalidade da doença está caindo, quandocomparado aos anos de 1997 e 1998. No ano passado, entremulheres, foi constatado até mesmo um aumento do número demortes."Houve uma redução muito importante na taxa de mortalidadedesde 1996, quando começou a distribuição de drogas antiaids.Mesmo assim, precisamos melhorar esses índices", afirma osecretário municipal de Saúde, Eduardo Jorge. Entre 1992 e 1996,a doença foi a 5ª causa mais comum de morte na cidade. No anopassado, ela ocupou o 11º lugar nesse ranking.A secretaria pretende fazer, em colaboração com a Santa Casa,uma pesquisa para descobrir de que os pacientes com aids estãomorrendo. Mesmo antes dos resultados, o coordenador do Programade DST-Aids da Secretaria Municipal de Saúde, Fábio Mesquita,afirma que há alguns itens que precisam ser melhorados. Entreeles, o diagnóstico mais rápido da doença e melhor treinamentodos profissionais de saúde, para aumentar a adesão dos pacientesao tratamento.É preciso, ainda, melhorar o atendimento depacientes com hepatite C. "Sabemos que há grande associaçãoentre as duas doenças." Para diminuir a espera no atendimento,a secretaria anunciou a abertura, no próximo semestre, de doiscentros de tratamento exclusivos para hepatite.O boletim demonstra, ainda, que o perfil do paciente com aids nacidade de São Paulo está mudando. Pelos dados divulgados nesta quarta-feira,nota-se a tendência de crescimento do número de casos entremulheres e pessoas menos favorecidas economicamente, como ocorreno restante do País.Mas na cidade há outras duas alterações: amédia de idade dos pacientes está se elevando, e o número decasos entre homossexuais mantém-se estável, ao contrário datendência de queda no restante do País.Dos casos notificados da doença, 20% são de homens que fazemsexo com homens (HSH). "A cidade pode ser comparada com SanFrancisco, nos Estados Unidos. Há uma comunidade de homossexuaisconsiderável", diz Mesquita.Os casos novos da doença entre HSHestão sendo registrados principalmente na periferia, onde atépouco tempo o trabalho de prevenção era precário. Paracontra-atacar essa tendência, o programa está reforçando ostrabalhos de prevenção nessas regiões.Até agora, especialistas não têm uma explicação para asrazões que estão levando ao "envelhecimento" dos novospacientes. De acordo com Mesquita, até alguns anos a doençaatingia principalmente homens entre 25 e 30 anos. Hoje, o grupomais atingido está entre 30 e 35 anos. Entre mulheres, a mudançatambém se confirmou: hoje, mulheres mais atingidas estão entre25 e 30 anos.Como ocorre no restante do País, a proporção entre doentes dosexo masculino e feminino está se reduzindo de formasignificativa. Atualmente, para cada 2 homens com a doença, háuma mulher. Em 1992, a relação era de 5 homens para cada mulher. Emum levantamento feito em Centro de Testagem e Aconselhamentopara detecção do HIV (CTA), notou-se que 26% das mulheresinfectadas tinham como único comportamento de "risco" manterrelações sexuais com um único parceiro."Há muitas mulheres que não têm poder de negociação com oparceiro, principalmente as de classe econômica menosfavorecida", afirma Eduardo Jorge.A tendência de doença de atingir mulheres casadas de classeeconômica mais baixa representa um desafio para os programas deprevenção. "Pelas características da cidade, não podemos fazertrabalhos de casa em casa", diz Mesquita. No próximo semestre,a secretaria deve iniciar programas de conscientização entreprofissionais do rádio. "Não será uma campanha, mas umaprogramação mais duradoura", completa.

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