Começa acareação entre advogados e acusador na CPI

O advogado Sérgio Weslei da Cunha, acusado de ter comprado, junto com a advogada Maria Cristina Rachado, uma cópia da gravação de uma sessão secreta da CPI do Tráfico de Armas já está frente a frente com Arthur Vinícius Pilastre Silva, ex-funcionário de uma empresa que presta serviço de sonorização à Câmara. O ex-funcionário chegou acompanhado de dois policiais federais, que estão na sala armados com fuzis, para a acareação. Silva está com colete à prova de balas. Depois da primeira acareação, será a vez de Maria Cristina Rachado ser colocada à frente do ex-funcionário. Por último, a acareação deverá ser feita com os três. Cunha disse que queria falar apenas à Justiça. Mas o presidente da CPI, Moroni Torgan (PFL-CE), argumentou que a CPI tem prerrogativas de Justiça. Logo no início, Artur afirmou que o advogado foi o primeiro a abordá-lo para vender cópia do depoimento de dois delegados de São Paulo, à comissão, obtidos em sessão secreta.AcusaçãoArthur Silva confessou ter vendido - por R$ 200 - aos dois advogados dois CDs contendo o depoimento do diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Godofredo Bittencourt Filho, e do delegado Ruy Ferraz Fontes. A sessão ocorreu no dia 10, à CPI do Tráfico de Armas, e o vazamento da informação foi fundamental, na avaliação do Deic, para deflagrar a onda de ataques do crime organizado em São Paulo, dois dias depois. Os advogados, em depoimento prestado na terça-feira, 23, à comissão, acusaram Silva de estar mentindo. Eles negam terem oferecido dinheiro e feito o pagamento pela cópia, como sustenta Silva. Maria Cristina e Cunha passaram também por uma acareação entre eles, marcada por contradições e desentendimentos. Para a CPI, na acareação de amanhã ficará claro quem pagou os R$ 200 ao ex-funcionário. A CPI ainda não obteve resposta ao pedido de prisão preventiva dos dois advogados, encaminhado à Justiça Federal na semana passada. O pedido de prisão, por corrupção ativa e formação de quadrilha, está na 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília.O ex-funcionário está sob proteção da Polícia Federal. Silva também deverá responder a processo por corrupção passiva e violação de sigilo profissional no Departamento de Polícia Legislativa da Câmara.

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